Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Sexta-feira, 07.09.07

Meus queridos netos:

 

 

            No dia seguinte à nossa chegada a Berlim e já com uma ideia geral que colhemos no City Tour”, fomos, logo de seguida ao pequeno almoço bufett do Hotel, visitar o Reichstag, que era uma das minhas primeiras prioridades.

 

            O Reichstag é um enorme edifício clássico, todo ornamentado com grandes esculturas e, tem em frente, um vastíssimo parque arrelvado, a Praça da República. Foi o Parlamento da época imperial e da República de Weimar e funcionou de 1894 a 1935, data em que foi completamente destruído por um incêndio criminoso. Durante a ditadura nazi, não funcionou qualquer parlamento. Na Berlim soviética manteve o nome de Reichstag embora o Reich (União) tivesse desaparecido com a morte de Hitler.

 

            No frontispício triangular, sustentado por seis colunas, tem gravado, desde a I Guerra Mundial e entre inúmeras figuras em relevo, a divisa”Dem Deutachen Volke  e ainda hoje, embora o Parlamento aí continue a reunir e se chama Bundenstag, os alemães se orgulham de o seu Parlamento ser uma casa aberta ao povo alemão que pode acompanhar, se quiser, a actividade parlamentar, o que faz com muita frequência e em grande número.

 

            Mas, actualmente, o que atrai ao Reichstag, por ano, cerca de três milhões de visitantes alemães e estrangeiros é a enorme cúpula de vidro, da autoria do arquitecto britânico Norman Foster, ao centro dum vasto espaço aberto sobre a cidade, embora esta também se possa admirar enquanto vamos subindo ou descendo as rampas que, suavemente, nos levam até ao topo e nos trazem de volta. Ao meio da plataforma, ergue-se uma estrutura de vidro, em forma de pirâmide octogonal invertida e truncada, onde os visitantes se vêem reflectidos em mil imagens que todos querem

                

                                                        

captar nas suas fotos ou filmes. É de facto, uma visita a não perder e que nós completámos com um belíssimo almoço no Restaurante Käfer, instalado num dos ângulos da plataforma e donde se tem, também, notáveis perspectivas da cidade. Mas é preciso coragem e paciência para arrostar com filas enormes – nós esperámos hora e meia ao sol – que todos os dias que por ali passávamos se mantinham do mesmo tamanho ou maiores.

 

            Ora, se o meu principal alvo era a cúpula do Reichstag, a Cristina tinha em vista, sobretudo, as Portas de Brandeburgo, que se situam perto e que lhe eram familiares nas ilustrações dos seus livros de alemão. Pudemos admirá-las à vontade e tirar fotografias muito interessantes, sem faltarem os cavalinhos que por ali estacionam para facilitar os passeios dos menos resistentes, ajuda que também encontravam, aliás, nuns triciclos cobertos, de dois lugares, para curtas deslocações. Mas a mais fotografada foi, claro, a deusa Vitória e a sua quadriga.

 

            O dia seguinte foi de compras. A Cristina, feitos os seus doze anos, tem agora novos interesses, como é natural, e quis aproveitar os saldos dos grandes armazéns para comprar roupas a seu gosto. Passámos o dia todo no Ka De We (grandes armazéns do oeste), onde o vôvô se nos juntou para almoçarmos os três no grande restaurante panorâmico onde se preparam iguarias de todo o mundo.

 

            Depois do Ka De We fomos a Potsdam (meia hora de metro) e aí fizemos uma visita guiada, em autocarro aberto, pelos muitos palácios e outros pontos de interesse da cidade. Vimos o Castelo de Charlottenhof, o Novo Palácio, o Sansoussi com os seus magníficos jardins, a Orangerie, o que resta do bairro holandês e da colónia russa Alexandrovona, ambos do séc. XIX, construídos por emigrantes desses países que aí foram trabalhar nas grandes obras então em curso.

 

            A visita terminou no Palácio Cecilienhof, em estilo de casa de campo inglesa, que foi construído pelos Hohenzollern, já no séc. XX. Ficou na História por aí ter sido assinado, no fim da segunda guerra, em 1945, o Tratado de Potsdam em que foi definido, pelos chefes de estado das potências vencedoras (Truman dos EUA, Churchill e mais tarde Attlee da Grã-Bretanha e Stalin da URSS), o futuro na nova Alemanha.

 

            No dia seguinte, chegou a vez dos museus: eu tinha grande empenho em visitar com a Cristina o Museu Pergamon, mas tanto este como os restantes quatro grandes museus da ilha estavam fechados para obras que só estarão concluídas em 2010. Limitámo-nos por isso a visitar a Galeria de Antiguidades que mostrava, no rés-do-chão, uma vasta colecção de arte romana e, no primeiro andar, de arte egípcia, onde se encontra o busto de Nefertiti, de 1350 a.c.  Em seguida visitámos a imponente catedral de Berlim, cuja cúpula foi totalmente destruída pelas bombas mas agora se apresenta em todo o seu esplendor. Foi edificada entre 1893-1895 no apogeu de Berlim como capital do Reich e reconstruída entre 1975-1980. Servia de igreja à corte e aí se encontra uma enorme cripta com os túmulos de adultos e crianças da família Hohenzollern. Tem uma pequena sala onde se encontra apenas um caixãozinho branco, em memória de uma princesa morta ao nascer.

 

            Para descansar um pouco, fomos almoçar, só as duas, perto do Checkpoint Charlie, num restaurante italiano muito bom e depois a Cristina tirou fotografias nesta zona e também ao muro que ainda resta (mais de um quilómetro) mas bastante degradado e fonte da polémica de que já falei: as autoridades pensam repará-lo para ficar como memorial, mas já não poderão reconstruir as pinturas feitas na época da queda por artistas conceituados que aí quiseram deixar os seus protestos e as suas mensagens de paz e de liberdade, alguns dos quais já morreram. Actualmente, numerosos grafittis desfiguram a intenção inicial e a maior parte das pessoas que sempre ali viveram gostariam de o ver destruído pois, devido a ele, passaram por muitos sofrimentos e algumas perderam a vida ao tentar passar para o Ocidente.

 

            Um dos dias memoráveis foi aquele em que visitámos a Torre da Televisão que os alemães orientais quiseram que fosse uma das mais altas do mundo como se vê na representação gráfica à entrada. Tem 368 metros de altura, mais 48 do que a Torre Eiffel. Depois de mais de hora e meia na fila e à espera de ter lugar nos dois enormes elevadores, subimos até à plataforma envidraçada, donde se têm perspectivas admiráveis sobre toda a cidade. Mas, mal acabámos de entrar no edifício, desencadeou-se uma forte chuvada que deixou encharcadas as dezenas de pessoas que ainda esperavam a sua vez.

 

            Resolvemos ir almoçar ao restaurante rotativo que fica a mais de 200 metros do solo e onde nos serviram um almoço requintado e esplêndido. Cada rotação demora meia hora, pelo que permite ver Berlim de todos os ângulos enquanto comemos, embora, ao princípio, tudo estivesse nublado e com chuva forte a bater nos vidros.

 

Já cansados, regressámos ao nosso hotel e eu, também já cansada, termino este relato por agora.

 

Beijinhos e até breve.

 

           

 

           

           

publicado por clay às 11:54 | link do post | comentar | favorito
VISITAS EFECTUADAS DEPOIS DE 23 JULHO 2012

contador de visitas
VISITAS EFECTUADAS DEPOIS DE 23 JULHO 2012

contador de visitas
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Setembro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
13
15
16
17
18
20
21
22
23
24
25
27
28
30
últ. comentários
Venha conhecer o nosso cantinho da escrita... Visi...
Querida Professora Acabei de ler o comentário da m...
Cara Drª Clementina Relvas,Vim hoje visitar o seu ...
Querida Vovó... ou Querida Professora:Para quem cu...
Querida Professora ,Estive uns tempos sem vir ao s...
Cara Sandra:É sempre um grande prazer e compensaçã...
Olá Cristina,tive o prazer de conhecer a su...
Dra Clementina :Fiquei feliz por receber uma respo...
Lisboa, 20 de Maio de 2011Peço desculpa de só agor...
Lisboa, 20 de Maio de 2011Querida Maria José:Lamen...
mais sobre mim
blogs SAPO