Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Sábado, 06.10.07

                        

Meus queridos Netos:

 

            Retomando a minha narrativa sobre as grandes cidades da Europa Central que visitei (releiam a carta anterior), depois de Praga, capital da República Checa, atravessando o Vale do Danúbio, seguimos para Budapeste, capital da Hungria. Situada nas margens do rio Danúbio, está dividida em duas cidades totalmente diferentes: dum lado Buda com o Bastião dos Pescadores, onde se podia comprar artesanato muito original e a Igreja Matias; do outro Peste, uma cidade mais moderna, com o seu imponente Parlamento ocre e branco debruçado no rio e a Praça dos Heróis, com esculturas representando diversas fases da história húngara. Aqui já cheirava a Ocidente, sobretudo na elegante rua Vaci Utra, onde já se tinham instalado lojas de moda das marcas mais afamadas do mundo.

 

            A excursão terminou em Viena, capital da Áustria, onde, além da panorâmica da cidade, visitámos demoradamente o Palácio de Schoenbrunn, residência, no século XIX da princesa que foi imortalizada com o nome de Sissi, pela sua beleza e se tornou um ícone da minha juventude ao ser incarnada, no cinema, em filmes da Romy Schneider.

 

            Á noite, enquanto os nossos companheiros foram a um jantar típico que não nos despertou interesse, procurámos ir à célebre Ópera da Cidade mas, como não havia bilhetes, decidimos passear a pé pelas ruas cheias de gente nas esplanadas e num comboiozinho turístico que ajudou a não nos cansarmos demasiado.

 

            Achámos que Viena merecia mais. E há uns três anos, mais propriamente em julho de 2003,  tinha eu acabado de fazer uma quimioterapia, resolvemos ir passar quinze dias à Áustria, a começar por Viena, onde ficámos alojados, tal como depois em Salzburgo, num confortável aparthotel arranjado através de um clube de férias em que estivemos filiados durante vários anos. Na sua pequena “Kitchinette” fazia o pequeno-almoço e um jantar ligeiro. Almoçávamos sempre fora e tivemos muito tempo para conhecer o que de melhor oferece esta magnífica cidade. E também para ficar a saber que não é só em Portugal que os carteiristas actuam.

 

            A nossa primeira visita foi à Catedral de Santo Estêvão, que é espectacular, tanto por dentro como por fora e, do telhado onde se podia subir, deslumbrámo-nos com uma vista parcial da cidade, que é bastante grande. Ao terminarmos a visita, dirigi-me à livraria para comprar um livro sobre a Catedral. Comprei o livro, paguei e, logo de seguida, me dei conta de que o meu porta-moedas tinha desaparecido. No dia seguinte, ao regressar de um supermercado próximo do hotel, o Vôvô que esperava por mim, ao ver-me entrar, estranhou-me o semblante e disse-me a brincar: “não me digas que foste roubada outra vez”. E era verdade, com uma diferença de 24 horas, tinha sido vítima de carteiristas uma segunda vez na capital das Valsas!

 

            Além de espectáculos, museus como o célebre Albertina, fizemos uma visita ao Belvedere do nosso já conhecido Schoenbrunn, e que é um conjunto de palácios e jardins, exemplo magnífico da arquitectura do espaço do séc. XVII: lagos, cascatas e esculturas de pedra e uma notável galeria de pintura, onde estão representados pintores italianos, entre os quais Ticiano. No primeiro andar há obras de Klimt e de Kokoschka.

 

            Fizemos também uma visita guiada à Ópera, fechada naquele período de verão e que nos decepcionou um pouco. Depois fomos até à ONU City, um espaço semelhante ao nosso Parque das Nações, apenas no que diz respeito a edifícios, e onde descobrimos uma avenida com o nome do nosso conterrâneo Aristides de Sousa Mendes.

             

              Ainda em Viena, passámos pelo Bairro Modernista da autoria de Hundert Wasser: casas pequenas, cobertas de vegetação para se integrarem na natureza e o Museu Hunderwasserhaus, importante tanto do ponto de vista artístico como testemunho humano e ético do seu autor. Impunha-se uma visita à notável Torre do Danúbio, uma alta torre de televisão com um restaurante rotativo, semelhante ao

que visitámos há pouco tempo na nossa visita a Berlim como contei numa carta anterior. Dela se tem a vista mais espectacular de Viena e sobre o rio que lhe dá o nome.

                      

                                     Viena e Danúbio vistos do alto da Torre da TV

 

            Também visitámos o Prater, uma espécie de Feira Popular, um pouco decadente. Mas tem a Grande Roda, celebrizada até em filmes, como “O Terceiro Homem”, donde desfrutámos de novo uma soberba panorâmica da cidade.

 

            Desta vez fomos fazer o habitual passeio das excursões, mas só nós dois, à floresta de Grinzing célebre pelas suas tabernas típicas, tendo lanchado numa delas: a apfelstruder e um copo de vinho da região. Ao jantar há folclore mas nós tivemos apenas, a abrilhantar a merenda, a música do violino dum velhote que já devia ter tido a sua época de glória.

 

            De Viena, fomos, em excursão, à floresta da Baixa Áustria, com bonitas aldeias, grandes conventos, ruínas de fortalezas nas colinas arborizadas e vinhedos. A certa altura parámos e fomos de barco pelo Danúbio até Melk, objectivo último do nosso passeio. Aí desembarcámos e almoçámos no restaurante do imponente mosteiro beneditino, um dos mais célebres monumentos barrocos da Áustria.

 

            Foi com muita pena que deixámos Viena e partimos de comboio para Salzburgo, onde ficámos a segunda semana.

 

            Salzburgo, atravessado pelo rio Salzach é a terra de Mozart: aí visitámos a casa onde nasceu, no centro histórico da cidade e, do outro lado do rio, aquela em que viveu, muito maior e com muito mais documentação escrita e áudio.

 

            Inúmeros motivos de interesse de Salzburgo, entre os quais a Igreja de São Sebastião, onde a missa observa o cânone anterior ao Vaticano II, toda em latim e com o sacerdote de costas para os fiéis; o famoso Parque Mirabell, com jardins deslumbrantes e o Museu do Barroco, a Catedral e o Domum – museu de arte sacra que lhe fica anexo, a Universidade, o Convento dos Capuchinhos, numa alto colina sobranceira à cidade, o Castelo e a Residence Galerie.

 

            O nosso último passeio, de barco, foi a Hellbrunn, com interessantes jogos de água nos jardins e um palácio maneirista que, depois de tantos outros da Áustria, já não nos impressionou muito. Mas, entretanto, fizemos uma excursão dum dia inteiro em direcção à Baviera, perto da fronteira com a Alemanha, que tivemos de atravessar.

 

            No caminho, visitámos as minas de sal de Berchtesgaden, de grande valor económico, com muitos motivos de interesse e onde a temperatura rondava os nove graus.

 

            Regressados ao autocarro dirigimo-nos a Kehlsteinhaus, local onde foi a casa de férias do ditador Hitler e dos seus colaboradores mais próximos, cujo acesso se faz a pé por um longo túnel no interior da montanha e, aqui, por um elevador que nos leva até ao cume A casa foi totalmente destruída para não se tornar num lugar de culto de neonazis, mas hoje o local é visitado por milhares de turistas, vindos de várias partes do mundo, e é ocupado por um restaurante e uma esplanada, que se atravessam para ir a um ponto ainda mais alto

                                

                                              O  Vôvô no ponto mais alto de Kehlsteinhaus

da montanha, donde se avista o lago Königsee que, ao descer, vimos de perto e onde se podiam fazer passeios de barco que nos estavam interditos, pois demoravam quatro horas.

 

            O regresso foi molhado, com a chuva a cair, mas as nossas férias na Áustria não podiam ter sido melhores.

 

            Há mais. Beijinhos e até à próxima.

 

           

 

           

publicado por clay às 01:05 | link do post | comentar | favorito
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