Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Quarta-feira, 27.08.08

     PAI NOSSO

 

«Ousamos dizer…» ousamos,
ensinados por Jesus
que nos revelou o Pai,
enchendo o mundo de Luz.

«Pai nosso» e nós Seus filhos,
Pai de todos, por igual,
pertença mútua, benesse,
nossa herança principal.

Nosso Pai «que estais nos Céus»,
Céus que são em todo o lado
mormente no coração
dos que sigam Teu mandado 

 

«Seja o Vosso Nome Santo
santificado» em nós
por todos os nossos actos
feitos a pensar em Vós..

 

«Venha a nós o Vosso reino»:
um reino de paz e amor
perfeito, como só pode
ser o Reino do Senhor

 

«Faça-se a Vossa vontade.
na terra como no Céu»
tal como a fazem os justos
já em presença de Deus.

 

 

«O pão nosso nos dai hoje,
hoje e sempre, em cada dia»
juntos, o pão necessário
a Palavra e a Eucaristia.

 

 «Perdoai-nos as ofensas
que Vos fazemos, Senhor»,
mesmo quando não sabemos
como aumentam Vossa dor.

«Perdoai-nos» como nós
devíamos perdoar,
não setenta vezes sete,
mas sempre, sem hesitar,

mesmo aos nossos inimigos,
sem lhes guardarmos rancor.
Não se gele em nossos lábios
o perdão do Vosso amor. 

 

«Não nos deixeis cair em tentação»,
quando postos à prova, quanto mais
a ceder ao pecado e a não lutar
sem tibieza, como desejais.

 

«Livrai-nos, pois, Senhor, de todo o mal»
- que a luta não termina facilmente –
dos males terrenos que nos afligem
e do mal do pecado, permanente.

 

Do mal que é Satanás, Vosso inimigo
e também nosso, pérfido, letal.
Quando chegar, enfim, o Vosso Reino,
será Vossa a vitória, a vitória total.

 

Clementina Relvas

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publicado por clay às 09:22 | link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 25.08.08


Meus queridos netos:

Durante a visita dum dia a Évora, nem o forte calor nos afastou das magníficas ruínas do Templo de Diana e, após um regalado almoço nas arcadas da Praça do Giraldo, dirigimo-nos à antiga Igreja de S. Francisco, que muito nos impressionou, sobretudo a célebre e macabra capela dos ossos.


Poucos dias depois, organizámos um passeio de dia inteiro por Espanha, com os Bisavós. Como de costume, o primeiro a ficar pronto para a partida foi o Bisavô, que, de chapéu na mão, esperava impacientemente a partida. Entrámos em Espanha por Badajoz e, a meio do caminho de Cáceres, já todos só desejávamos o momento de saborear o suculento e delicioso farnel que a Bisavó se tinha esmerado a preparar. A estrada, ao contrário do que acontecia em Portugal, não tinha árvore nem fonte que nos acolhesse mas, apesar do calor e do vento que se fazia sentir, foi uma agradável paragem e um bom augúrio para o resto do passeio.


De facto gostámos muito da cidade, com a sua praça principal rodeada por edifícios monumentais e antigas igrejas. Visitámos o Museu Arqueológico, onde os rapazes, talvez pouco motivados para aquelas relíquias pré-históricas, se quiseram fotografar montados em dois dos toscos animais de pedra que ocupavam o centro duma sala.

       

Tomámos um refresco e seguimos para Mérida, cidade que eles acharam bem mais interessante devido às imponentes ruínas do Teatro Romano, onde ainda hoje se apresentam magníficos espectáculos e onde puderam ver a estrutura dum teatro clássico, pois ainda eram bem nítidas as diferentes partes que o constituíam: o edifício monumental, com dois pisos assentes em colunatas e que era reservado aos actores (palco, camarins) e o imenso anfiteatro, destinado ao público, cujos lugares estavam estritamente destinados, conforme a sua categoria social e também a sua idade. Também puderam ver como, dada a distância a que ficavam os espectadores em relação ao palco, onde decorria a acção, estes anfiteatros tinham de ser dotados duma excelente acústica que era ajudada pelo uso de máscaras de madeira, com os grossos lábios em forma de funil, para amplificar o som.


Regressámos por Valência de Alcântara e todos nos sentimos felizes com este dia tão bem passado.


Os restantes, que faltavam, foram preenchidos com os preparativos para o regresso a Angola e as despedidas: à família da Broa e à do Tio Zeca. E não faltou um agradável almoço com os Bisavós num restaurante da Portagem, à beira do rio Sever, onde havia, além de muito boas sombras, uma piscina natural que fazia as delícias dos nossos filhos e onde tínhamos ido várias vezes.

        

  Com os Bisavós (Inês e José), na "Portagem", junto ao Rio Sevér


Deixámos os Bisavós com muitas saudades e regressámos à Casa de Santa Zita, em Lisboa. Enquanto aguardávamos o embarque, fomos a Fátima, aproveitando para visitar as Grutas de Santo António, ainda em estado tosco mas já de grande imponência como fenómenos da Natureza.


Visitámos o Palácio de Queluz, com os seus luxuosos aposentos, dominados pelo fausto da Sala do Trono e os seus jardins clássicos, tudo de influência francesa.


Terminámos o nosso vasto roteiro cultural com uma ida ao Convento de Mafra, esmagador nas suas dimensões e na riqueza da sua Biblioteca. Ao sair, ouvimos o Vôvô contar, mais uma vez, as aventuras e desventuras do seu serviço militar, numa parte daquele edifício destinada a esse fim e onde, apesar de cadete e futuro alferes miliciano, não escapou às investidas dos milhares de percevejos que, nessa época eram uma autêntica praga e infestavam as camaratas.

 


  Queridos netos: Os vossos Pais, numa visita à familia de Távora (1971)

 

Depois, foi a partida, no “Infante D. Henrique” Ao deixarmos ficar para trás o Monumento das Descobertas e, mais tarde, a Serra de Sintra, acudiram-me à memória aqueles tão sentidos versos de Camões: «Já a vista, pouco e pouco se desterra daqueles pátrios montes que ficavam…». Mas a verdade é que as saudades de Angola também já eram muitas e foi com grande alvoroço que desembarcámos em Luanda, depois duma confortável e animada viagem de regresso.

        

        


Como vêem, ainda tenho muito para contar. E tenciono continuar estas cartas, na esperança de que, um dia em que já o não possa fazer de viva voz, os nossos netos, ainda que, de quando em quando, saltem algumas partes mais maçadoras, recordem os seus Vóvós e se distraiam com as suas andanças.


Para já, muitos beijinhos da Vóvó

publicado por clay às 10:38 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 14.08.08

 

 

 

 NÓS VAMOS SEM CAMINHOS

 

Nós vamos sem caminhos e sem fontes,
sem rios, sem olhar e sem paisagens,
nós vamos sós, por estes horizontes
de cimento, de ferro e de miragem.

  

               Vamos sem nos determos,
               ao encontro
               das máquinas, das montras e dos mitos
               dos ruídos, dos cantos e dos gritos.
               sem caminhos, sem fontes, sem paisagens.

  

Nós vamos sem amigos.
Os amigos de antigamente.
Quando havia fontes
e os homens caminhavam por caminhos,
e eram eles quem fazia a caminhada
e as suas mãos que levantavam pontes
e eram pontes,
de amigo a outro amigo.

  

               Nós temos olhos só para as imagens:
               já não sabemos escutar as fontes.
               Não temos pés nem mãos,
               só as miragens;
               só as máquinas,
               só máquinas de ferro,
               que erguem por nós as pontes e os caminhos,
               nos mostram o amor e a paisagem
               e os nos deixam vazios e sozinhos.


               CLEMENTINA RELVAS

 

publicado por clay às 09:32 | link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 07.08.08


Meus queridos netos:

 

Terminado o ano lectivo com tão bom aproveitamento, fomos buscar os nossos filhos a Tondela e, antes de regressarmos a Portalegre, não podíamos deixar de passar por Lisboa para completarmos o seu conhecimento do património artístico.


Assim, visitámos com eles o Mosteiro dos Jerónimos – a belíssima Igreja de Santa Maria de Belém, erguida sobre uma ermida chamada, por D. Henrique, ermida dos Reis de Belém, o que explica o facto de ele se encontrar representado no magnífico painel da capela-mor, onde se encontram os túmulos de D. Manuel e D. Maria, sua esposa, do lado do Evangelho, bem como os de D. João III e D. Catarina, do lado da Epístola e ainda o túmulo de D. Sebastião. A ampla nave acolheu, mais tarde, os túmulos de Vasco da Gama e de Luís de Camões, símbolos máximos da nossa epopeia marítima. No piso superior do coro alto, admirámos o magnífico cadeiral, uma das mais importantes obras de talha renascentista. Também a sacristia, situada ao lado do Cruzeiro, mereceu bem a nossa visita, não só pela mestria e originalidade da construção, mas também por nela se encontrarem vários quadros representando, na maioria, a vida de S. Jerónimo. Na Sala do Capítulo, detivemo-nos um pouco diante do túmulo de Alexandre Herculano, que foi de Santa Maria de Belém. A construção do Mosteiro, iniciada em 1501 ou 1502, foi dirigida, primeiro por Diogo Boitaca e por Francisco Arruda , ficando a parte escultórica (que sofreu alterações no decorrer dos séculos), a cargo do célebre escultor francês Nicolau de Chanterène, depois substituído pelo não menos conhecido, João de Ruão.


Não podíamos deixar de visitar demoradamente o Claustro, em dois andares sobrepostos, e com uma exuberante decoração, de peixes, cordame, âncoras e outros elementos do estilo manuelino mas onde sobressai a sequência de dez medalhões, representando os Instrumentos da Paixão de Cristo. É no Claustro que se encontram os restos mortais de Fernando Pessoa, para aí trasladados em 1965, em reconhecimento da importância do seu livro Mensagem, onde, tal como Camões, faz reviver os feitos heróicos dos portugueses e a grandeza de Portugal. E Aos rapazes não passou despercebida uma mão a segurar um feixe de plantas, que todos os visitantes querem tocar, o que manifestamente a tem desgastado.


No dia seguinte, percorremos, palmo a palmo, a Torre de Belém, mandada construir por D. Manuel I para substituir a nau, habitualmente fundeada a meio do rio Tejo, para proteger aquela parte da cidade de ataques inimigos. A Torre de Belém, com a Fortaleza de Cascais e a de S. Sebastião, em Porto Brandão, constituía uma triangulação de tiro de grande eficácia. Composta por um baluarte quase ao nível da água, destinado a fins claramente militares e uma Torre que evoca a época cavaleiresca, é um dos monumentos mais belos da Europa. Foi mandada construir, em 1515, por D. João II, ao Mestre Francisco de Arruda, e é um belo exemplo do estilo gótico tardio, mais conhecido por manuelino como o que encontramos no Mosteiro dos Jerónimos. O baluarte ou casamata tal como o resto do monumento tem decoração plateresca, com motivos fantásticos, como a face monstruosa dum ser híbrido que se encontra junto à base da esplanada, que nos proporcionou uma vista deslumbrante da margem sul do Tejo. A Torre é dividida em quatro andares: o primeiro é completamente liso mas tem, da parte de fora, um nicho com uma imagem de Nossa Senhora e o Menino e era a sala do Governador; o segundo, a sala dos Reis, apresenta um balcão corrido, saliente, com sete arcos de volta perfeita; o terceiro encontra-se decorado com duas enormes esferas armilares com as armas Portugal entre as duas janelas; o quarto também é completamente liso e ligeiramente recuado, sendo a sua base decorada por merlões em forma de escudos. O topo da Torre é marcado nos vértices por guaritas semelhantes às do baluarte mas mais pequenas e coroado por ameias de topo piramidal.
As restantes fachadas são discretas, sendo no entanto de assinalar as janelas geminadas e balcões salientes. Na fachada norte, as guaritas, encontra-se um nicho com baldaquino, protegendo as imagens de S. Vicente (padroeiro de Lisboa) e a de S. Miguel Arcanjo.


Numa das mísulas que serve de suporte a uma guarita, encontra-se representado o rinoceronte, oferecido pelo sultão de Cambaia a D. Manuel e depois, por este, ao Papa Leão X, na célebre embaixada portuguesa a Roma, em 1514. A última sala, também conhecida por capela a mais pequena, é também a mais notável do ponto de vista arquitectónico e apresenta um pavimento em xadrez preto e branco. Quanto à restante decoração, é tão exuberante, que ficou um pouco ofuscada pelas esferas armilares e a Cruz de Cristo, motivos recorrentes neste notável monumento.


Os rapazes fizeram questão de serem fotografados na esplanada do topo, tendo por fundo as guaritas com as suas cúpulas de gomos, encimadas por cinco bolas (ou balas…), as ameias e o Tejo como pano de fundo.

               
Para terminar esta visita, fomos até ao Monumento das Descobertas, onde o Zé o Quim, quiseram subir, para tocar as estátuas dos nossos heróis, dispostas, em fila, atrás do seu grande mentor, o Infante D. Henrique.

                

Completaram essa lição de Historia de Portugal com a visita ao Museu da Marinha: aprenderam a distinguir as naus dos galeões e das caravelas e verificaram que, não só no passado, os portugueses foram os destemidos viajantes a quem o mar nunca meteu medo, fosse desafiando as lendas assustadoras dos confins do Mundo, fosse vencendo os perigos do mar gelado até à longínqua Gronelândia, nas prolongadas campanhas da pesca do bacalhau. E descobriram, com espanto, como a nossa arte de marinharia tinha suscitado génios não só no domínio da cartografia, mas em todos os domínios científicos com ela relacionados, com particular admiração para o astrolábio, do nosso sábio Pedro Nunes.


E ficamos por aqui, procurando não esquecer quanto vimos e aprendemos.


Beijinhos da Vóvó


NOTA: Muitos dados desta carta foram colhidos no livro PORTUGAL, PATRIMÓNIO MUNDIAL, que me avivaram a memória e despertaram em mim o desejo de voltar a visitar, agora mais detidamente, estes dois símbolos da nossa grandeza.

publicado por clay às 18:36 | link do post | comentar | favorito
Sábado, 02.08.08

 

                        A VIDA

 

 

 

Um espelho em que buscamos
o que era e já não é
ou que nunca foi, até,
e que só imaginámos.


Uma sombra fugidia
duma coisa que se quis
e que só nos fez feliz
quando já de nós fugia.


    Clementina Relvas

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