Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Domingo, 16.11.08

Meus queridos netos:


Vou finalmente falar-vos do impressionante Museu do Holocausto: desenhado por um célebre arquitecto judeu, Moshe Safdie, o novo Museu do Holocausto foi inaugurado em 2005, demorou 10 anos a construir e custou 40 milhões de dólares americanos, sendo,  entre muitos outros, o maior Museu do Holocausto do Mundo. O seu arquitecto declarou que a estrutura do edifício, todo em betão, quer ser «a memória dum passado sombrio mas também duma esperança de renovação e de vitória da vida». Tem a forma dum prisma triangular que penetra na montanha, abrindo, à entrada e à saída, para o espaço aberto.


A forma de prisma triangular foi escolhida para suportar a pressão da terra sobre o tecto de vidro de 200m. que traz a luz para o interior. Essa luz contrasta com as áreas escuras, requeridas para as apresentações multimédia que se multiplicam ao longo das galerias, onde a luz penetra por clarabóias, quando as exposições o exigem. Ao longo do prisma, a secção triangular, em cruz, vai-se tornando mais estreita até ao centro, o que dá a ilusão de estarmos a descer profundamente na montanha. As galerias conduzem o visitante por um percurso sinuoso, ordenado cronologicamente, numa narrativa com princípio, meio e fim e que põe em relevo histórias individuais dentro dessa narrativa.

 

Em pequenas salas desencontradas, abertas para o corredor central e no próprio corredor encontram-se documentos da época, cartazes, fotografias, objectos de carácter pessoal, alguns artísticos, apreendidos pelos nazis, escritos semi-queimados, um nunca acabar de testemunhos reunidos por Yad Vashem, ao longo dos cinquenta anos da sua vida. O corredor é essencialmente dedicado a mostrar esses objectos e à projecção, através de mais de cem aparelhos de TV, de acontecimentos fundamentais daquele período, por exemplo, invasões de países pelos nazis e testemunhos pessoais contados pelas vítimas.


A visita termina pela Sala dos Nomes, uma imensa cúpula recoberta por milhares de fotografias das vítimas; nomes e dados biográficos estão expostos em volta da sala.


A seguir entra-se no Átrio da Memória: no chão vêem-se os nomes, em letras de bronze, dos campos de concentração e uma chama votiva que ilumina a cripta, onde estão as cinzas de algumas vítimas. É um ambiente muito dramático, que é aliviado, à saída, por uma fantástica vista de Jerusalém.


Mas em breve voltamos a ingressar no horror, ao visitar o Memorial da Criança, que recorda o milhão e meio de crianças vítimas do Holocausto. Entra-se pelas ruínas duma construção em betão, encimada por inúmeros ferros truncados, como truncadas foram as vidas daquelas crianças. Deparamos, em seguida, com uma escultura em mármore do rosto duma criança: é o pequeno Uziel, cujos pais, os Spiegel, financiaram todo este comovente monumento.


Depois, abre-se diante de nós um imenso corredor, em completa escuridão, quebrada por milhares de pequenas luzes, que, multiplicadas nas paredes totalmente espelhadas, são um fantástico céu de pequenas almas inocentes. E, enquanto percorríamos o longo e escuro corredor, ouvíamos pronunciar, lentamente e com a maior gravidade, os nomes e as idades das crianças, bem como o dos campos de concentração onde morreram. Quando saí, reparei num interessante grupo escultórico, em bronze: trata-se do Memorial de Janusz Korczac, um pedagogo polaco que, corajosamente se dedicou a salvar as vidas de muitas crianças órfãs. Quando os nazis as vieram buscar, Korczac negou-se a deixá-las partir sem ele, tendo sido todos levados para um «campo de trabalho», do qual nunca mais regressaram.


A nossa viagem terminou por uma visita ao Mini-Israel, uma espécie de Portugal dos Pequeninos, mas tudo em ponto ainda mais pequeno, situado na estrada em direcção a Tel Aviv.Neste parque de diversões, onde jantámos antes de seguir para o Aeroporto  Ben Gurion daquela cidade, encontrámos representados quase todos os pontos de interesse da nossa viagem em Israel que, apesar de muito cansativa, nos deixou recordações verdadeiramente inesquecíveis.
 

                             Átrio da Memória

            O Vôvô contemplando o Átrio da Memória

                         (Obrigado a usar um solidéu)

             Na entrada para o Memorial da Criança

                    Um aspecto do "Mini Israel"

   Entrada para a zona palestiniana no muro separador

 

Cabe aqui dizer que esta viagem foi organizada pelo INATEL, tendo tudo corrido na maior perfeição. Foram cinco Hotéis muito bem escolhidos, de quatro estrelas e um de cinco. Tanto o autocarro de Israel como o da Jordânia eram belíssimos e os motoristas muito hábeis e conhecedores dos complicados percursos. Uma citação elogiosa para a Guia que nos acompanhou desde Lisboa, a Maria João, muito competente e dinâmica. Por último um elogio muito especial para o Guia israelita, um verdadeiro senhor, falando um português correctíssimo e que, não sendo cristão, demonstrou um elevado conhecimento do Novo Testamento, da vida de Cristo, do seu tempo e dos locais por onde andou. O mesmo não poderei dizer do Guia jordano, muito "trapalhão" e falando um castelhano quase ininteligível.

 

 

Uf! Beijinhos dos Vóvós, com muita ternura.
 

 

publicado por clay às 16:09 | link do post | comentar | favorito
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