Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Quarta-feira, 29.07.09

Meus queridos netos:


Chegou, finalmente o dia de voltarmos a estar com a nossa neta: ela terminou o seu ano lectivo na Escola Alemã do Algarve a 10 de Julho e veio ter connosco no dia 15. Sexta - feira aproveitámos para ir visitar o Museu da Cidade e tomar um chazinho juntas. A 17 partimos para Belmonte, pois íamos assistir ao baptizado de dois priminhos dela, o Tomás e o João, na Igreja de Sortelha. Antes da cerimónia, passámos por Bendada, onde os pais dos pequerruchos têm uma casa de férias e um farto e apetitoso aperitivo aguardava os convidados. Ao meio dia partimos para Sortelha. A pequena aldeia histórica fascinou-a, principalmente as suas casas de granito, que não se cansava de fotografar.


Finda a bonita cerimónia que conferia às duas criancinhas o estatuto de filhos de Deus, regressámos, pelos ínvios caminhos da serra, à vila de Belmonte, onde na Quinta da Bica, foi servido um lauto e delicioso banquete, com especial realce para o Joãozinho que, nesse dia, celebrava o seu primeiro ano de vida e, por isso, teve direito, não só ao bolo do baptizado, mas também ao tradicional bolo de anos, seguido dos «parabéns a Você».


Regressámos ao Hotel Belsol, onde estávamos hospedados e que, além das confortáveis instalações e refeições excelentes, nos regalava com o seu bem cuidado jardim, alegrado com um lago, as mais variadas flores, um caramanchão de verdejantes alfarrobeiras entrelaçadas a glicínias com os seus cachos de flores azuis, numa combinação tão exótica como harmoniosa e uma agradável piscina, também ela envolvida por espaços ajardinados. Também as janelas e terraços do Hotel estavam enfeitados com vasos de buzinas das mais diversas cores, como se fosse primavera.


No Domingo fomos à Missa a Colmeal da Torre, uma aldeia muito bem cuidada e que ostenta, à entrada, as ruínas imponentes de Centum, uma torre do tempo dos romanos, resto duma casa senhorial ligada à exploração do estanho. Depois do almoço no Hotel, fomos visitar os principais monumentos de Belmonte: o Castelo, muito bem restaurado e cheio de recordações históricas, a Igreja de Santiago, integrada no caminho de Compostela, o Panteão dos Cabrais para onde vieram, de Santarém onde está sepultado, as cinzas de Pedro Álvares Cabral. Aí se encontra uma bonita imagem de Nossa Senhora, que acompanhou o descobridor a Terras de Vera Cruz. Fomos à Igreja Matriz, mais recente, mas também digna de interesse.


Passando a aspectos profanos, visitámos a reconstituição dum antigo lagar de azeite, o Eco Museu do Zêzere, que reconstitui todo o percurso desse rio, incluindo a Barragem do Castelo de Bode e nos mostra os principais exemplares da sua fauna. Mas o Museu que mais nos encantou, principalmente à Cristininha, foi o dos Descobrimentos Portugueses, inaugurado em Abril e que resume toda a cronologia das nossas descobertas e seus heróis, mas que dá especial relevo a aspectos do Brasil: a mata atlântica, fauna exótica, costumes dos índios e seus diversos toucados, uma pequena cela onde a pessoa pode entrar e experimentar as algemas com que se subjugavam ou castigavam os escravos, documentos antigos. Os vários espaços interactivos estão muito bem concebidos e despertam grande interesse tanto nos jovens como nos adultos. Limito-me, por razões de espaço, a referir dois: a possibilidade de vermos o nosso rosto no corpo dum pajem ou duma baiana e também um mercado onde se apregoam as mais variadas frutas tropicais e que, mal a nossa mão se aproxima do vidro da vitrina onde estão expostos, desaparecem como se, de facto, os tivéssemos comprado. Tantos são os motivos de interesse deste moderno Museu, que já não tivemos tempo de visitar o Museu Judaico, embora também estivesse incluído no nosso passe.


No regresso a Lisboa, com muito calor e eu bastante mal disposta, ainda fizemos uma paragem em Constância, onde almoçámos num restaurante típico, fotografámos as belíssimas margens do Tejo, o rio com os seus barcos típicos e a confluência deste rio com o Zêzere, que passava em frente do Nosso Hotel e aqui vem desaguar. E prestámos uma especial atenção aos sítios evocativos de Camões e à sua estátua de bronze, erigida em frente do Horto que lhe é dedicado.


Nos restantes dias a Cristininha, além de continuar a devorar romances, entre os quais o Mar Morto, de Jorge Amado e de me ajudar nas minhas tarefas, foi ao cinema com o Pai ver o último filme do Harry Potter, foi comigo visitar o novo espaço dos Jardins do Palácio de Belém (o oitocentista Jardim da Cascata, com a sua estrutura e decoração clássicas e a sua colecção de aves exóticas empalhadas) e ainda passear com a sua prima Vera no Centro Cultural de Belém, onde apreciaram uma exposição de mobiliário.


Com toda esta actividade, ainda teve tempo para escrever no computador as três mensagens que se vão seguir no meu blogue e, até, um artigo sobre Investimento, tudo com uma qualidade que não é muito vulgar numa menina de catorze anos.


Foram assim as nossas curtas férias, terminadas ontem e que nos deixaram muitas saudades.


Com muitos beijinhos dos Avós, à espera de que esta lufada de alegria volte, em breve, a animar os nossos dias.

                           No Castelo de Belmonte

                                  Sortelha


                  As belas margens do Tejo em Constância

                                      Na piscina do Hotel Belsol

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Quarta-feira, 22.07.09

 Meus queridos netos:


O forno do povo, era, na pequena aldeia da minha infância, um dos poucos vestígios da antiga vida comunitária. Lembro-me dele aos dez anos, mais adiante direi porquê. E só me parece que ainda respiro, deliciada, primeiro o perfume acre e tão especial das estevas (no Alentejo aprendi a dizer “xaras”) a consumirem-se em altas labaredas vermelhas ou dos ramos de vide que resultavam da poda e que também eram muito apreciados para aquecer o forno; depois, quando se tirava cá para fora, o cheirinho apetitoso do pão de centeio que nos ia regalar durante toda a semana.


O forno funcionava assim: havia uma mulher de meia-idade que se encarregava de, com a lenha trazida pelos interessados, acender o forno, deixá-lo aquecer até atingir a temperatura adequada, enquanto remexia sabiamente o lume, para que o aquecimento atingisse toda a superfície. Chegada a esse ponto, varria, com uma comprida vassoura de ramas, o lar do forno, libertando-o de toda a cinza, para que o pão saísse sem qualquer mácula. Pegava então numa comprida pá (que eu acreditava firmemente ser igual à da padeira de Aljubarrota que, na escola primária nos enchia de orgulho por, com ela, ter conseguido derrotar os espanhóis), onde colocava, um a um, os pães do tabuleiro que tinha sido o primeiro a chegar. Cada mulher marcava o seu pão com um sinal combinado com as outras: uma cabeça feita com um forte repuxão na massa, uma cruz bem profunda para que não desaparecesse com a cozedura ou um raminho de carqueja, que saía lá de dentro carbonizado mas sempre no seu posto, ufano da missão tão bem cumprida.


Enquanto tudo isto se passava e, principalmente, terminada a azáfama, enquanto se aguardava, com toda a calma, a abertura do forno, a meia dúzia de mulheres ali reunidas tagarelavam, tagarelavam, desfolhando as vicissitudes das suas vidas e também, vamos lá, alguns “segredos” das do próximo: era então que se sabia quem estava prestes a ter mais um filho, quem namorava quem, a chegada mais ou menos remota dos parentes que trabalhavam nos hospitais do Porto como enfermeiras ou, mais frequentemente, simples auxiliares. Nesse tempo ainda se falava da emigração do século XIX para o Brasil, que, quando bem sucedida, trazia à terra respectiva os «brasileiros de torna-viagem», os quais, além de obras de beneficência, erguiam as suas casas tão imponentes, com dois andares, muitas vezes um mirante e um telhado com rebordo de madeira mais ou menos artisticamente trabalhado. Da minha aldeia também alguns tinham vivido essa aventura, entre eles os meus Avós maternos e o meu Pai mas, infelizmente, pouco tinham amealhado nessas terras longínquas e muitas vezes madrastas. Mas ainda estava longe a emigração em massa para França e para o Ultramar.


E chegava o momento tão ansiado, principalmente pelas crianças, que também acorriam ao forno do povo, principalmente no Inverno, quando, cá fora, o “barbeiro” a soprar do Marão, enregelava as mãos e as enchia de frieiras: o pão era retirado um a um, primeiro os que tinham entrado mais tarde, pois tinham ficado mais perto da «boca» do forno e depois os outros, o que fazia sempre dizer à padeira: «Vêem, como lá diz o Senhor Prior: Os últimos são os primeiros». Enchiam-se os tabuleiros, guarnecidos com as suas toalhas brancas de neve e sentia-se a felicidade simples daquela gente, ciente de que o pão lhe duraria até à próxima semana, em que todo este ritual se repetiria, imutável.


De cada tabuleiro saía um pão para a padeira (a sua única paga) e, em alguns casos, os pãezinhos das crianças. A minha Mãe fazia sempre, para cada um dos filhos, com a massa temperada com azeite, o que lhe dava um gostinho especial, pequenos pães em forma de lagartos, peixes, bonecas, tudo o que a sua fértil imaginação inventava e a ternura das suas mãos moldava amorosamente para nós.


Como esta carta já vai longa, fica para a próxima a explicação prometida atrás, da relação entre os meus dez anos e o forno do povo…


Beijinhos, acabados de sair do forno do meu coração, da Vóvó. E do Vôvô também.

 NOTA: Procurem no Arquivo ao lado "Maio 2007" e releiam o meu post "AS VOLTAS QUE LEVA O PÃO" no qual relato uma visita que fiz ao Museu do Pão em Seia.

publicado por clay às 17:26 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 14.07.09

 

Meus queridos netos:


Soa, já lá tão longe, na minha memória, o toque diário das Ave-Marias, mas ainda o escuto e, com ele, correm em tropel ao meu encontro, doces recordações inesquecíveis, a minha infância que passou para sempre, simples, sem grandes acontecimentos, mas também sem sobressaltos de maior.


Quando voltávamos da escola, era o tempo de brincar. Juntavam-se, no largo junto à nossa casa, todos os miúdos da aldeia que, apesar de ter apenas umas dezenas de famílias, era ainda um alfobre de crianças, pobres, mas descuidadas e felizes. Jogávamos às escondidas, ao apanha, ao “bom barqueiro” e, sobretudo os rapazes é claro, com a bola de trapos que a minha Mãe lhes fazia, com o seu jeito e muita dedicação. Cantávamos, ríamos, gritávamos sem qualquer razão, numa algazarra que não irritava os mais velhos, alguns já muito idosos, que, não raramente, se quedavam à nossa beira, rindo connosco e certamente relembrando tempos em que tinham sido tão felizes como nós.


O sobressalto chegava quando o sino da nossa igreja fazia ecoar, por vales e serras, o toque das Ave-Marias. Era, então, a debandada imediata, pois todos tínhamos ordens rigorosas de deixar as brincadeiras e ninguém ousava desobedecer. Em nossa casa, era a altura das orações da noite, com todos de pé junto à lareira – o meu Pai sentado, não só devido à sua idade, pois já tinha casado tarde, mas também porque, ao fim dum constante labutar no campo, precisava de, como ele dizia, descansar as pernas. À minha Mãe cabia invocar os santos da sua devoção, especialmente Nossa Senhora Auxiliadora, colocar nas mãos de Deus todas as necessidades, nossas e alheias, e a nós acompanhá-la com os Pai-Nossos e Ave- Marias, numa atitude de grande respeito, quebrado, embora raramente, por um safanão ou pisadela clandestinos e a consequente advertência da minha Mãe. Terminadas as orações, pedíamos e recebíamos a bênção dos nossos Pais, já a pensar na ceia que nos esperava.


No mês de Maio, a minha maior alegria era ajudar a enfeitar a Igreja: lírios, açucenas, coroas de noiva e goivos de várias cores, exalavam um perfume inebriante que eu pensava capazes de chegar ao Céu, como o incenso queimado nas grandes solenidades. E como os Anjos e os Santos haviam de gostar!


A Igreja era enfeitada mais do que uma vez por semana, já que, no mês de Maio, a nossa vizinha D. Irene rezava diariamente o terço com um grupo considerável de pessoas, entre elas muitas crianças. Eu gostava de tudo: dos altares enfeitados, do silêncio que “enchia” a Igreja, das orações participadas pela assembleia e das imagens dos Santos. Em primeiro lugar, Nossa Senhora Auxiliadora que era, com S. Sebastião, a patrona da freguesia. S.Sebastião fazia-me muita pena, com o seu corpo cravado de setas e a escorrer sangue que, apesar de eu saber não ser real, me confrangia o coração.


É verdade que, nesse tempo, e apesar duma rápida e superficial catequese –ou por isso mesmo-, eu não entendia quem era Deus e não era com Ele, escondido no Sacrário, que eu mantinha os diálogos mais vivos. Com S. José, sim. Gostava de o ver apoiado numa açucena como se dum báculo se tratasse e do carinho com que pegava ao colo o Menino Jesus, que me diziam ser seu filho adoptivo. Eu não sabia muito bem o que significava, já que esse laço familiar não existia na nossa aldeia: éramos todos filhos a sério dos nossos pais e das nossas mães, que nos amavam, se ocupavam de nós e, também, de vez em quando, nos «chegavam a roupa ao pêlo».


Como vêem pelo que fica escrito, o tempo encarrega-se de filtrar e, também, de dourar as nossas recordações, fazendo da nossa infância uma época de maravilhas, que não trocaríamos por nada neste mundo.


Dela vos falarei ainda muitas vezes, pois trata-se duma espécie de caverna de Ali-Bábá, onde se guardam muitos tesouros, à nossa disposição desde que saibamos dizer, convictamente, o mágico “Abre-te Sésamo”.

 

Até Breve. Beijinhos da Vóvó!


                       

                             A Igreja da minha infância

                                              Pereiro - Tabuaço

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Domingo, 05.07.09

 

 

 

 

Meus queridos Netos:

 

Não. Não se trata dos pastores que, ao anúncio dos Anjos, acorreram a adorar o Menino Jesus, deitado nas palhinhas da manjedoura. Estes eram os únicos que havia na minha aldeia, quando eu era criança. Eram dois ou três homens rudes, com a pele da cara rugosa e queimada pelo sol, maltratada pelas intempéries, com a barba de muitos dias e o cabelo, fosse branco ou escuro, sempre sujo e emaranhado. Vestiam roupas andrajosas, igualmente sujas e eram pessoas de poucas falas, talvez devido ao isolamento em que viviam com o seu rebanho. Era realmente um só rebanho que possuíam e não me lembro de alguma vez saber que tinham vendido ou matado uma rês que fosse. Vendiam o leite que sobejava de alimentar as crias e, sobretudo, viviam de alugar o rebanho, durante um tempo e um preço combinado, aos proprietários das terras, refractários ao uso de adubos químicos, mais pelo seu custo elevado do que por preocupações ecológicas, que desconheciam.


Quando chegava a nossa vez, era um reboliço por toda a casa, mas especialmente entre os mais pequenos, sempre ansiosos de novidades, raras naquela pequena aldeia isolada.


No primeiro dia, o nosso pai levava-nos ao terreno onde eles armavam o aprisco, uma sebe de madeira desengonçada, que abria por uma cancela e onde, ao fim da tarde, com a ajuda dum grande cão que nos fazia muito medo, encurralavam o rebanho até ao dia seguinte. Durante esse tempo, o chão cobria-se do estrume que havia de fertilizar aquele campo, onde mais tarde se semeariam e colheriam muitos sacos de óptimas batatas, o alimento base da família. Decorrida essa noite, a vedação era mudada, e, depois, tantas vezes quantas as necessárias, até todo o terreno ficar estrumado e pronto para ser cultivado.


Mas a parte mais excitante de todo este afã era a «ceia dos pastores», que fazia parte do contrato e que consistia num rescendente caldo-verde acomodado na parte inferior da grande marmita, acompanhado por uma generosa porção de batatas cozidas e tiras de toucinho fritas que enchiam a parte superior. A ceia era confeccionada, pela minha Mãe, com o mesmo esmero que punha na preparação das nossas refeições, geralmente um pouco mais elaboradas. Mas mal nos chegava o cheirinho do caldo verde bem regado com azeite da nossa safra ou ouvíamos rechinar o toucinho na frigideira, aí nos íamos nós aproximando como quem não quer a coisa, e a minha Mãe, habituada a esta cena, já tinha contado connosco e distribuía por todos nós, que éramos quatro, o nosso quinhão da «ceia dos pastores». Quando chegava a hora da nossa, podia haver os melhores petiscos, mas nós já estávamos saciados e felizes por termos partilhado daquela comida simples, e, durante um mês, nunca nos enfastiávamos.


Ainda hoje, tantos anos decorridos, me parece sentir aqueles cheirinhos bons, que me trazem à memória a minha casa de infância, a paciência e ternura da minha Mãe e, por isso achei perfeitamente natural, ao ler, muito mais tarde, no livro de Marcel Proust, «Em busca do Tempo Perdido», a evocação comovida da «madalena», essa ligação afectiva e saudosa aos tempos passados, que tivemos por felizes.


Lisboa, 27 de Junho de 2009


Clementina Relvas


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