Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Sábado, 15.08.09

 

Meus queridos netos:


Nestas cartas que tenho escrito para vós, o protagonismo da Cristininha pode causar alguma justificada estranheza: o meu outro neto, o Zezinho, tem permanecido ausente, mas já vos explico porquê.


Foi já no entardecer da nossa vida que o Zezinho, agora com três anos e meio, apareceu como um raio de sol, trazendo-nos a alegria dum novo recomeço e a esperança de nos vermos lembrados através dele, numa existência que lhe desejamos longa, feliz e com o coração aberto ao Bem, iluminada pela presença de Deus e aberta às necessidades do próximo.
Nos dois primeiros anos de vida, era uma criança muito activa, que não dava descanso aos seus Pais e manifestava a sua personalidade pela insistência que punha na realização dos seus desejos. Se não conseguia vê-los realizados, lá vinha uma forte birra, geralmente acompanhada por ensurdecedora gritaria que não durava muito tempo. Imediatamente aparecia, no seu rosto angelical, um desarmante e consolador sorriso que a todos encantava e enternecia.

 

Como começou a falar muito tarde, parecia-nos que um dos motivos dessas suas birras era o desejo de se exprimir, sobretudo quando já compreendia muito do que lhe diziam e se passava à sua volta. Com o passar do tempo, tornou-se um pouco mais paciente, interessado pelas coisas e, desde que começou a falar, não pára um momento calado, sempre a palrar como que para recuperar o tempo perdido. Diz coisas muito engraçadas e reveladoras da sua lógica infantil: habituado a ser ele o contemplado com a quase totalidade das prendas, quando os seus Pais fizeram anos, há um mês atrás, oferecemos-lhes uma garrafa de licor e os respectivos copinhos de cristal. Quando eu disse: «Esta prenda é para o Papá e para a Mamã», ele acrescentou imediatamente: «Para o Papá, para a Mamã e para o Zezinho. É para todos» E o pior é que, no dia seguinte, queria brincar com os copos pequeninos, ou ainda melhor, levá-los consigo para o Jardim Infantil.


Mas não é minha intenção, nesta carta limitada pelo espaço, falar das «gracinhas» do meu neto, cada vez mais frequentes e imprevisíveis. Quero, acima de tudo, mostrar como, tanto o Vôvô Emílio como eu o amamos, embora o seu convívio connosco seja bastante escasso, pois as forças já não são as que eram há catorze anos, quando nasceu a nossa neta Cristina. Além disso, ele tem vivos e sempre prontos a acolhê-lo os seus dois Avós maternos, enquanto a prima só nos tinha a nós.


De qualquer modo, quando ele nos entra porta dentro, a precipitar-se para os nossos braços abertos e nos dá os seus repenicados beijinhos, com o luminoso sorriso que continua a irradiar da sua face, é sempre o mesmo raio de sol a aquecer-nos este final de vida, que, sem ele, não teria a mesma força e alegria.

 

Beijinhos dos Vóvós
 

publicado por clay às 17:04 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
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