Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Quinta-feira, 12.02.15

 

…todo o dom perfeito vem do Alto…      (Tiago 1, 17-18)

 

Obrigada, Senhor, por este dom que fizeste descer sobre mim. Não o tenho por perfeito, porque se misturou à minha imperfeição, ao meu ser de barro, sempre sujeito às armadilhas terrenas, que são tantas e tão insidiosas.                                                                     

Não Te ofendas se, alguma vez, (ou muitas vezes), o meu espírito, ao olhar não foi capaz de ver, ao ler ou ao ouvir a Tua Palavra não foi capaz de a compreender e ouvir e, mesmo assim, escolhi esta tarefa de interpretar as Tuas parábolas e de procurar a profunda motivação e alcance dos Teus milagres.

Deram-me força para tal atrevimento as palavras da oração que, um dia, dirigiste ao Pai: «Bendito, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos». E foi pensando na minha pequenez e na Tua infinita bondade e omnipotência, que me senti tentada a pôr de lado as minhas imperfeições e ignorância para me dedicar a ouvir-Te mais atentamente e a procurar acompanhar-te nas explicações de que os Teus próprios discípulos precisavam e muitas vezes Te pediram.

Assim, procurando decifrar, com a Tua ajuda, as imagens que em meu coração se reflectiam, baças como num espelho cansado de tentar, em vão, mostrar as verdadeiras feições dos que, nele, procuravam a sua verdadeira imagem, que desejaste fosse a Tua, consegui ver que, para além delas, estavas Tu, fonte de toda a sabedoria, de toda a luz e o único Caminho para se chegar ao Pai.

Nesse percurso, às vezes doloroso, pude descobrir muitas das minhas enfermidades do corpo e da alma, identificar-me com o joio, com a figueira estéril, com os escribas e os fariseus e pedir-Te, Senhor, o milagre da cura dos meus pecados.

Mas também, em muitas ocasiões, fui consolada com a palavra com que curavas todos os males dos que a Ti, com fé, se dirigiam: «A tua fé te salvou. Vai e não tornes a pecar».

Por isso quero terminar esta conversa Contigo, pedindo-Te, Senhor, como o Salmista: «Não me afastes da Tua presença, nem me prives do Teu Santo Espírito».

 

                 Clementina Relvas

publicado por clay às 00:31 | link do post | comentar | favorito
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