Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Sábado, 21.11.09

 

Meus queridos netos:
 
                               Hoje vou deixar-vos uma carta diferente, cujo significado talvez escape à vossa tenra idade. É preciso viver a vida com intensidade, deixar correr muito tempo, para nos darmos conta da essência do tempo e da vertente psicológica que o integra, ou seja, da sua relatividade, conforme o demonstrou um grande cientista: Albert Einstein.
                               E assim, com uma certa dose de ironia, escrevi, há anos, estes dois textos:
                                              
 
                               CRONÓMETRO IRÓNICO (I)
 
                               Num minuto, o que é que posso escrever que valha a pena? Entre o nascer e o morrer, o tempo é curto, é longo, tudo depende de quê? De como se viveu e morreu, dizem…
                              
                               Em dois minutos já posso reflectir sobre a vida: para quê estar vivo? E porquê? Não vou emperrar nestas interrogações sem resposta, senão arrisco-me a não viver, mas apenas a escrever bagatelas. Já terão passado dois minutos? Que longa é a vida!
 
                               Em três minutos… Três minutos? É uma eternidade. Quase dá para escrever um conto, se me souber limitar ao essencial. Bem, apesar deste prólogo e das rasuras, que não eram essenciais,  ainda tenho um minuto para tentar o conto: “ O ponteiro corria célere e ia matando o tempo. Avançou um, dois, três…” Gastei cinco segundos a mais, num conto incompleto.
 
 
                            CRONÓMETRO IRÓNICO (II)
 
E agora, sem me preocupar com o tempo, eis uma pequena história ainda sobre o tempo:
 
                               “ Tenho dezoito anos e estou apaixonada. Vou ao encontro do amado, através do jardim, onde o perfume do buxo e das rosas se mistura. O sangue corre mais rápido nas minhas veias, alvoroçado pelo eco dos passos familiares que se aproximam. Uma eternidade até chegar junto dele, afagar a sua mão, tão suave, tão doce, única entre todas as mãos! Um êxtase, um beijo onde se quer guardar a vida e a eternidade… Da torre fronteira vem o aviso de que já passou a manhã e estamos atrasados. Quem diria?”
                                              
Lisboa, 16 de Agosto de 1986
Clementina Relvas
 
Beijinhos da Vóvó
 
publicado por clay às 16:46 | link do post | comentar | favorito
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