Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Segunda-feira, 22.03.10

 

 

                               Meus queridos netos:

 

                                               Hoje vou usar o meu blogue para “conversar” com a Cristininha. Em Maio, ela fará quinze anos e, embora o pessimismo do texto que me ofereceu tenha muito a ver com a fase da adolescência que está a atravessar, gostaria de temperar esse pessimismo com a experiência que tenho colhido ao longo de muitos anos de vida e de oração.

 

                                               A metáfora que ela escolheu para caracterizar o mundo em que vivemos, “O CAMPO DE FUTEBOL”, foi uma ideia feliz e soube desenvolvê-la com coerência, uma linguagem rica e adequada e, sobretudo, uma capacidade de análise que não é vulgar nesta idade. Mas, vejamos:

                                               “Bom não chega. Toda a gente quer superar o seu melhor. Atingir a perfeição é o que queremos. Que bom seria, desde que a nossa meta fosse positiva, informada por valores humanos e espirituais a bem de todos os homens. S. Paulo, que depois duma juventude gasta a perseguir cruelmente os cristãos, se converteu, fez de Cristo o centro da sua vida, dando-lhe como objectivo converter pagãos através da pregação do Evangelho e, claro, do seu exemplo, diz, na Carta aos Filipenses 3, 12-: “ Não que eu já tenha alcançado a meta, ou que já seja perfeito, mas prossigo a minha carreira para ver se de algum modo a poderei alcançar, visto que já fui alcançado por Jesus Cristo: Irmãos, não penso que já a alcancei, mas uma coisa faço: esquecendo-me do que fica para trás (a referida perseguição que, como judeu zeloso da antiga Lei de Moisés, moveu aos convertidos ao cristianismo) e avançando para o que está adiante, prossigo em direcção á meta, para obter o prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”.

 

                                               Claro que a superação de que falas é a competição desenfreada, na ânsia de alcançar bens materiais e uma boa posição na sociedade e essa, sim, só pode deixar-nos insatisfeitos, pois há sempre outros mais ricos, ou mais poderosos ou mesmo mais perfeitos do que nós.

 

                                               Tu adiantas: “Não temos equilíbrio. Não temos limites. Quem faz os limites? Quem nos impõe regras? Quem decide sobre nós?” A frase “Somos senhores de nós próprios, já não é válida”. Mas é aí que tu e muita gente se engana. Quem faz os limites é Deus ou, se não fores capaz de acreditar em Deus, a consciência moral de que todo o homem é dotado, mas que pode valorizar ou ir destruindo, pouco a pouco, com os defeitos de que noutro ponto falas, com tão grande e justificada violência: “Mentiras atrás de mentiras, histórias ocultadas, meio contadas” e o desconhecimento dos outros que nos rodeiam, com os seus problemas e aflições. Como se, e vou servir-me das tuas palavras, usássemos óculos escuros ou criássemos bolhas de água à nossa volta, para não vermos, para não nos sentirmos obrigados a partilhar.

 

                                               E então sim. Como tu tens razão! Essas pessoas não passam de ”jogadores num campo de futebol, treinados para ganhar. Para superar o inimigo. Para correr até à vitória. Passar por maus bocados. Sufocar até à exaustão. Quebrar os ossos pelo caminho e, no fim, quando já não se aguenta mais, sentar-se no banco. Ser-se trocado por um melhor, mais fresco, cheio de energia”.  “Já não prestamos”. Mas não é forçosamente assim. Há aqueles que sabem parar no momento adequado e, tendo preparado o seu futuro, continuam o seu caminho de perfeição: em cargos administrativos, como treinadores, com fundações humanitárias em que procuram realizar-se ajudando o próximo.

 

                                               Dizes que “Ninguém aprende com o passado (…) Todas as vezes se repetem as mesmas cenas. Os mesmos ódios, as mesmas ilusões”. Ora, S. Paulo aprendeu e arrepiou caminho. Outros trilharam sempre o caminho da santidade. Outros procuraram fazê-lo, levando uma vida recta, santificando-se no serviço missionário ou simplesmente humanitário. Eis aqui o desmentido às tuas generalizações: há quem se importe com os outros, há quem, com sacrifício pessoal, ajude os sem abrigo ou os que estão desamparados.

 

                                               E, quando o campo de futebol fica vazio, “a energia voa para longe, os gritos de apoio se desvanecem, a esperança no olho dos adeptos já não existe», há uma força superior que não deixa sozinho nenhum homem de boa vontade: Deus.

 

                                               Por isso, num dos seus mais recentes documentos, o Papa Bento XVI, afirmava: «O homem, sem Deus, não sabe quem é, nem para

onde vai».

                                               Beijinhos dos Vóvós que desejam ver-vos realmente felizes, no caminho de Deus.

 

 

 
                     Um campo de futebol. Fonte: Google
publicado por clay às 11:51 | link do post | favorito

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