Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Domingo, 18.07.10

                              

 

                                                                                                                                                                           

Meus queridos netos:

 

Quem é que compra os beijinhos e porquê? Tenho  de vos contar toda esta história, uma história do Zezinho, nosso neto e que é assim:

 

                        Quando ele era ainda um bebé, que nunca parava quieto, fazia muitas birras, sobretudo quando se metia a fazer qualquer coisa que lhe não saía bem, se entretinha a abrir todas as portas e a acender todas as luzes da sala, os pais procuravam acalmá-lo com beijinhos que geralmente rejeitava como sempre rejeitou a chupeta.

 

                        Foi crescendo (tem agora quatro anos e meio) e travou conhecimento, não só com os amiguinhos da Creche, mas também, progressivamente, com as brincadeiras do Panda e outros heróis da Televisão, mas também com personagens inventadas pelo Pai e outras que apareciam nas cantiguinhas com que a Mãe procurava interessá-lo. O Pai tinha o seu melhor aliado no Sr. Lei, sempre disposto a levar presos os meninos que se portam mal, fazendo-os ficar quietinhos e calados num canto do sofá da sala. Não por muito tempo, acrescente-se, já que o Sr. Lei gosta muito de meninos bem comportados e tem muito bom coração.

 

                        A primeira grande paixão do Zezinho foram os Faíscas, que levava para todo o lado, primeiro na carteira da Mãe e depois, quando já tinha muitos, numa pequena mochila, enfeitada com o Homem Aranha.

 

                        Foi por essa altura que ele começou a aninhar-se nos colos que lhe ofereciam os familiares mais próximos e começou a dar, ou melhor, a receber beijinhos. Encostava ao feliz contemplado a sua carinha delicada e sempre risonha, recebia os afagos, mas escapulia-se logo para mais uma traquinice.

 

                        Depois, deve ter pensado que, se ele gostava tanto de beijinhos, também gostariam deles os que lhos davam e começou a distribuir beijinhos a torto e a direito.

 

                        Até que um dia…

 

                        Um dia, ao despedir-se da Vóvó com muitos beijinhos, disse, apressadamente adeus ao Vôvô e correu para o elevador, dizendo:

 

                        - Não tenho mais beijinhos Vôvô. Amanhã compro mais, para ti.

 

A cena repetiu-se na visita seguinte, mas como o Pai fingisse vender-lhe beijinhos em troca dumas moedas imaginárias, o Zezinho voltou atrás, encheu o Vôvô de beijos doces e repenicados e lá partiu todo contente para, ao colo do Pai, carregar no botão zero do elevador.

                                  

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Clementina Relvas

                                  

publicado por clay às 17:10 | link do post | favorito

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