Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Quarta-feira, 08.06.11

 

        Meus queridos netos:

 

       Da minha janela, num sétimo andar, em Lisboa, posso ver todo o vasto mundo: alguns prédios de muitos pisos que não escondem um bonito bairro residencial, com as moradias de telhados vermelhos a espreitar, curiosas, através de árvores copadas e verdes; e, do lado esquerdo, uma linha de caminho de ferro suburbano que me leva, e não só em imaginação, até às paisagens e monumentos inolvidáveis de Sintra ou, se quiser tomar o sentido contrário, pelo Fertagus, até ao mar e às praias luminosas da Costa da Caparica. Se me deixar levar nas asas do sonho, tenho à minha disposição toda a costa portuguesa com o seu mar azul e cheio de recortes caprichosos, Trás os Montes e as suas paisagens agrestes, os vinhedos do Douro e o seu rio azul, a Beira cheia de tradições e belezas ocultas, o Ribatejo dos touros e campinos, o Alentejo com o infinito espelhado nas suas extensas planícies e o Algarve, que me encanta sobretudo quando visto do mar.

 

       Por vezes, parto para países exóticos que já visitei, mas evito fazê-lo para não baralhar os meus pensamentos com tantas maravilhas naturais, tantas obras de arte recentes ou carregadas de História. Geralmente fico-me a olhar, pela minha janela, para a floresta de Monsanto, aqui ao lado, e penso na criatividade infinita de Deus, que a dotou de tantas árvores e arbustos, variados e magníficos. Então, ora me detenho a observá-los sem poder conter o espanto, ora fico extasiada com o alto poste de telecomunicações, fruto do trabalho do Homem, inspirado pela Suprema Sabedoria que vem em sua ajuda.

 

       Quero eu dizer que, seja o que for que me prenda o olhar, a atenção ou o pensamento, é sempre a presença de Deus, criador de todas as coisas, que me projeta mais além, para lá do circunstancial e efémero, das nuvens acasteladas ou do céu azul e luminoso, para um espaço que não sou capaz de preencher, um espaço infinito onde Deus é tudo em todos e onde jamais existirão barreiras ou limites.

 

      Por isso costumo pensar que a minha janela é uma oportunidade para comungar com Deus através da Suas obras, na imensa Igreja do Universo, onde todos somos acolhidos pela Sua bondade e misericórdia.

 

                                   Lisboa, 7 de Julho de 2011

                                       Clementina Relvas

 

Da minha janela...

 

 

 

publicado por clay às 11:59 | link do post | comentar | favorito
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