Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Quinta-feira, 16.02.12

 

                                                                                

Foi no exato momento em que a Lua, uma lua redonda, enorme e curiosa como sempre - a chamada Lua Cheia - fixou a sua atenção naquela terra vermelha, os "barros", nunca mais teve sossego.

Todos sabiam serem as terras mais férteis duma larga zona em redor. Lá do alto, ela ia assistindo a todas as fatais e estranhas metamorfoses, sem nunca perder o interesse pelo fenómeno e sem jamais descobrir e como e o porquê.

Havia um período em que o tempo parecia não passar e ela, sempre em fase de Lua Cheia, não via mais do que restolho, cada vez mais acastanhado. Depois aparecia-lhe assim, toda coberta de sulcos vermelhos que, à primeira vista, faziam pensar numa obra de arte, por exemplo, um cenário  para uma peça dramática. Se tal alguma vez aconteceu, só podia ter sido numa altura em que ela vagueasse por outras regiões, onde não faltavam prodígios de que talvez um dia fizesse um palpitante relato. E muito havia para contar...

            Mas eis que todas aquelas suaves colinas apareciam pintadas de verde. A  Lua não sabia dizer como, mas talvez se tratasse de pequenas plantas pois, numa nova passagem, já a cor era outra: amarelo dourado, hastes meio curvadas pelo peso das extremidades.

E logo na volta seguinte, era a renovada tristeza de sempre: os campos cobertos de feno, como se tivessem sido abandonados para sempre.

            Até que, o milagre se renovava: apareciam os sulcos vermelhos, depois os cenários verdes, o amarelo dourado e à Lua ocorreu uma palavra que aprendera há pouco, a conversar com as marés: eram ciclos inerentes à Natureza. E então a Lua chorou. O cenário apareceu pintado de verde e ela começou a pensar que nunca chegaria a saber o que, verdadeiramente eram ciclos, porque, como passava por ali em fases diferentes, sempre ficavam, no seu raciocínio, espaços em branco de que ela ignorava tudo. Mas, quem sabe? Talvez essa genuína ânsia de saber resolvesse o mistério, mais tarde ou mais cedo...

            Não era a mesma que levava os cientistas a esquadrinharem o Universo e a decifrarem coisas de que nem se imaginava a existência?  

 

 

            Lisboa, 16 de Fevereiro de 2012

           

                   Clementina Relvas

 

publicado por clay às 14:41 | link do post | comentar | favorito
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