Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Domingo, 17.06.12
 

 

 

 

(Para a Cristina, o Zezinho

e para os netos das outras Avós interessadas)

 

Era uma vez,

de verdade,

e não como nas histórias,

uma menina

nascida

para bem da Humanidade.

 

Tinha pai, S. Joaquim

e tinha por mãe

Sant’Ana

mas foi Deus quem destinou

dar-lhe, sob forma humana,

uma alma branca, branca…

Nenhum pecado a manchou.

Teve pai e teve mãe,

como nós, teve parentes:

a sua prima Isabel,

mãe de S. João Baptista

e outros, todos diferentes.

Era humilde, dedicada,

brilhava com santo brilho

e, cumpridora da Lei,

amava, acima de tudo

o Senhor, que a destinava

 a ser a Mãe do Seu Filho.

 

Um dia, em que se empenhava

no trabalho habitual,

mandou-lhe Deus,

por Seu Anjo,

a mensagem capital

que nos ganharia os Céus.

 

 

O Anjo, S. Gabriel,

era assim que se chamava,

disse à menina: Maria,

foste escolhida por Deus

para seres Mãe do Seu filho».

E ela, que não entendia,

disse «Sim», sem hesitar:

«Eis a serva do Senhor,

que mais posso desejar?

cumprirei Sua vontade,

já que Deus assim o quis.

Por mim, vou continuar

a ser humilde e feliz

porque Deus se dignou

pôr em mim o Seu olhar.

Embora não compreenda

tão excelsa maravilha,

beijo a mão que me conduz».

E diz-lhe o Anjo: «Maria,

nunca existiu melhor filha.

Chama ao teu Filho Jesus».

 

 

E assim foi. Era preciso

um pai para dar o nome

perante os homens e a Lei,

quando nascesse o bebé.

E foi Seu pai adoptivo

um homem justo, José.

Para ser recenseado,

José, que era descendente

da casa do Rei David,

deslocou-se até Belém,

que estava cheia de gente.

E foi aí, num estábulo,

que nasceu o Rei dos Céus

e o mundo ficou contente.

Do Céu, os Anjos vieram

entoar os seus louvores

e também lá compareceram

as pastoras e os pastores

a adorá-Lo e a dedicar-Lhe

os seus presentes melhores:

cordeiros, queijos e mel

de bom grado os ofereceram.

Vieram, depois, os Magos,

homens sábios, experientes,

montados nos seus camelos

e trazendo outros presentes:

o ouro da realeza,

incenso da adoração

e a mirra, que anunciava

uma grande provação.

 

 

Havia, então, na Judeia,

onde o caso acontecia,

um rei, tirano e cruel

que o Menino perseguia.

Para ver se se livrava

de Jesus, o Deus Menino,

mandou matar todo aquele,

inocente e pequenino,

que a Jesus se assemelhava.

Mas veio um Anjo, do Céu,

- talvez o Anjo da Guarda,

minha e vossa companhia –

e revelou ao casal

o que Herodes pretendia.

S. José não hesitou:

serviu-se dum burriquito

para Maria montar

e fugiu para o Egipto,

onde ficou a morar.

Mas, quando Herodes morreu,

voltaram a Nazaré:

S. José, o seu Menino

e Maria, Sua Mãe.

 

Em uma carpintaria,

pertencente a S. José,

este voltou ao trabalho

e o Menino, ali ao pé,

o mesmo ofício aprendia.

Era um filho obediente,

mas um dia, com os Pais,

foi até Jerusalém

para a Páscoa celebrar.

Durante três longos dias

por todo o lado O buscaram,

aflitos, ansiosos,

e onde O foram encontrar?

Encontraram’O no Templo,

sentado entre os doutores,

que ouviam, extasiados,

procurando responder

às perguntas de Jesus.

Do Menino irradiavam

tantos, tantos esplendores

que já não era o Menino:

era uma fonte de Luz.

E Sua Mãe lamentou-se:

«Meu Filho, Tu não sabias que nós,

o Teu pai e eu andámos por todo o lado,

com o coração partido

por não Te termos guardado

e Te julgarmos perdido?»

Perdido eu, minha Mãe?

Como tal podia ser?

Era em casa de Meu Pai,

aqui, neste santo Templo,

que devíeis procurar,

porque de há muito sabeis

que é na casa de meu Pai

aqui, mesmo, o meu lugar».

Nossa Senhora calou-se.

Sorriu então S. José:

tinham achado o Menino,

ficara muito contente.

E, regressados a casa,

como outro qualquer menino,

bem educado e bondoso,

era-lhes obediente.

 

 

Viveu cerca de vinte anos

com Seus Pais, sempre afastado,

bem longe da multidão.

Quando o tempo foi chegado,

foi, por S. João Baptista,

baptizado no Jordão.

Seu Pai disse a todo o mundo:

«É este o meu Filho amado

em Quem pus o meu enlevo».

E foi enviado, então,

para vir, junto dos homens,

cumprir a Sua missão.

Deu vista aos cegos.

Aos coxos

restituiu o andar.

Perdoou muitos pecados

a quem se queria emendar.

Chamou à vida, de novo,

os que já tinham morrido

e foram ressuscitados.

Transformou a água em vinho

e um só pão em mais de mil,

para alimentar aqueles

que O tinham vindo a seguir.

Chamara doze discípulos

que, deixando quanto tinham,

apenas queriam servir.

Servir os necessitados,

propagar os mandamentos

que Jesus ia ensinando-

Falava-lhes por parábolas,

sabendo que era preciso

revelar, devagarinho

e de maneira acessível,

o que alguns julgavam  fábulas.

Mas não. Era a Lei de Deus,

baseada no amor.

Ir em busca da ovelha

desgarrada do pastor,

ou da dracma perdida,

ou receber aquele filho

que voltava, arrependido,

para casa do seu pai,

ciente de que o perdão

lhe seria concedido.

 

 

E assim passaram os anos,

sempre praticando o Bem

e semeando esperanças.

Fez o Sermão da Montanha,

onde, sem nada esquecer,

pôs as Bem-Aventuranças.

Feliz de quem as seguir,

feliz, abendiçoado,

pois será esse o caminho

para evitar o pecado.

- «O pecado? – perguntais

para eu vos responder.

Em que consiste o pecado?»

- Sabendo como Ele nos ama,

fazer o mal, sem olharmos

ao que O fazemos sofrer.

 

 

Mas prossigamos a história,

esta história verdadeira

que vos estou a contar.

Queria dar-lhe um fim feliz,

mas depende da maneira

como a soubermos olhar.

 

 

Vendo a enorme projecção

alcançada por Jesus,

temiam que Ele desejasse

ser rei de toda a Nação.

Fingiram não perceber

que o desejo mais profundo

de Jesus era fazer

a vontade de Seu Pai

e n’Ele salvar o mundo.

Mas como havia de ser?

Durante a Última Ceia,

na véspera de morrer,

tomou o pão e benzeu-o.

Disse: «Comei este Pão,

este Pão que é o meu Corpo

e a vossa salvação».

 

A seguir, pegou no Cálice,

no vinho que ele continha

e abençoou-o, dizendo:

«Este Vinho é o meu  Sangue.

Tomai e bebei d’Ele todos,

fazei-o em minha memória,

pois só beberei de novo,

convosco, na eterna Glória».

Que mais podia fazer

um tão grande Coração

do que, todo, se oferecer

a cada povo e nação?

Mas, para participar

em tão nobre Sacramento

que chamamos Comunhão

é preciso confessar,

com fundo arrependimento,

as culpas que nos mancharam,

pouco a pouco,  o coração.

Confessar ao sacerdote

que está em lugar de Deus

e nos pode perdoar

as faltas que cometemos

e deixar-nos comungar,

cada vez que o desejemos.

Esta é a Graça maior

de quantas nos deu Jesus.

Custou-Lhe infinita dor

por Sua morte, na Cruz.

 

 

Por Judas, Seu seguidor

e pela sua traição,

foi preso, manietado.

Fizeram-Lhe padecer

muitos tormentos e dor

e escarneciam d’Ele

sem a menor compaixão,

sem o mínimo temor.

Condenaram-n’O a morrer

da morte mais desonrosa:

ser pregado numa cruz

no meio de dois ladrões,

gente má e criminosa.

Mas um deles arrependeu-se,

pediu o Céu a Jesus,

que atendeu o seu pedido.

E mais, perdoou a todos,

os que O tinham ofendido.

Porque sempre foi de amor

e perdão, Sua mensagem,

pediu ao Pai: «Perdoai-lhes,

que não sabem o que fazem».

Teve sede e bebeu fel,

suou sangue, dor atroz,

que morte injusta e cruel!

Entregou nas mãos do Pai

Seu espírito liberto

e morreu por nosso amor,

ficando de nós mais perto.

Junto à Cruz, em agonia

por Seu Filho, que morrera,

estava a Virgem Maria,

 

 

João, discípulo dilecto

e algumas santas mulheres.

Quanto aos outros, que O seguiam,

ficaram de longe, a ver,

escondendo o seu afecto

dos que os podiam prender.

(E aquelas santas mulheres

mais haviam de fazer).

Quando O desceram da Cruz,

todo chagado e exangue,

foi para o colo da Mãe,

que Lhe enxugou o Seu sangue.

Depois houve um santo homem,

natural de Arimateia

e de seu nome José,

que O levou para um sepulcro

construído ali ao pé.

O túmulo ficou cerrado

com uma pedra inamovível,

guardado por sentinelas,

sem haver fuga possível.

Tendo passado três dias

e quando as santas mulheres

vieram para O ungir

com os perfumes rituais

e se chegaram mais perto,

não acharam nem sinais

de Jesus e, admiradas,

viram o túmulo aberto.

Correram, alvoroçadas,

para avisar os discípulos

que, não querendo acreditar,

foram ver com os seus olhos:

só lá estava o lugar

e as faixas que O envolviam,

com a forma do Seu corpo.

Que era feito de Jesus?

Toda a gente O vira morto…

 

 

Reviravolta na história

que tenho vindo a contar:

Jesus fora para o Pai.

Vencera a dor e a morte

e no Céu, ressuscitado,

reserva a todos a sorte

de se sentar a Seu lado,

desde que sejam fiéis

que não cometam pecado.

Mas até os Seus discípulos,

que O deviam conhecer,

não queriam acreditar

no que não podiam ver.

E foi então, com amor,

decidido por Jesus

ir-Se encontrar com dois homens

no caminho de Emaús.

Meteu conversa com eles,

abrasou seu coração,

partilhou a sua mesa

mas só O reconheceram

ao vê-Lo partir o pão.

Uma vez reconhecido,

Jesus voltou para o Céu

mas nunca nos deixou sós:

mandou, como prometera,

Seu Espírito, o Paráclito,

para estar junto de nós.

E assim, o Consolador,

presente em nosso baptismo,

é o nosso Redentor,

e está sempre a nosso lado,

a afastar-nos do abismo.

Porque é Ele que em nós apaga

o pecado original

e, presente em nossa vida,

livra-nos de todo o mal.

 

 

É este o final feliz

desta história verdadeira

que eu escrevi para vós

e em que pus toda a vontade.

Quero louvar o Deus Pai,

louvar Jesus, o Deus Filho

e o Deus Espírito Santo

que, sendo três, são um só,

a Santíssima Trindade.

É difícil de entender

mas Deus é tão grandioso

e nós somos tão pequenos

que não podemos medi-Lo

pelos critérios terrenos.

Há mistérios insondáveis

no pensamento de Deus.

Se não forem alcançáveis

por nosso pobre saber,

confiemos no Senhor

sempre pronto a nos valer.

 

 

Aqui termina esta história

e peço a vossa atenção

a tudo o que fica dito.

Mais vos podia dizer,

mas aqui vos deixo escrito

e vos quero prometer

que, a tudo o que perguntarem

procurarei responder

com a ajuda de Jesus:

o grande herói desta história

e fonte de toda a Luz.

 

 

Clementina Relvas

  

publicado por clay às 00:17 | link do post | comentar | favorito
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