Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Quinta-feira, 20.12.12

 

 

Aqui, na terra morena,

africana,

rude e forte,

símbolo do que resiste,

vida em luta com a morte.

 

Ó sentinela e profeta,

ó força da natureza!

Embondeiro, meu poeta,

flor de altura morena,

de rebeldia e grandeza.

 

Nem flor tens. Flor és tu,

Ó meu profeta-poeta.

Minha flor africana

do tamanho desta terra,

terra africana,

morena.

 

Raízes presas à terra,

braços erguidos ao céu,

mas como alguém que se agarra

ao torrão em que nasceu.

 

Não és flor, és profeta,

ó Embondeiro poeta

que só morre onde viveu.

 

Raízes presas à terra,

braços erguidos ao céu.

 

Luanda, 1966

 

Clementina Relvas

 

publicado por clay às 18:14 | link do post | comentar | favorito
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