Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Sábado, 11.05.13

 

 

 

Meus queridos netos;

 

            Tenho andado muito arredia do meu blogue, mas hoje quero partilhar com os dois um episódio que, anteontem, me aconteceu e me tem dado que pensar.

            Vinha eu a sair da Missa, onde, me fui confessar e me tocou particularmente, este pensamento do sacerdote: “A paciência é uma caminha que dá guarida a todas as virtudes”

            Ora, antes da missa, eu tinha ido, apoiada na minha bengala, a um mercado ali próximo e tinha feito algumas compras, especialmente uma flores que precisava de renovar na minha casa. Atrás das flores vieram uns peixes fresquinhos, duas pisas do Pingo Doce, pão integral para o Vôvô, um ramo de flores silvestres porque era o dia da Ascensão do Senhor, que a tradição passou a chamar, a dada altura, “dia da espiga”.

            Com o saco, a minha mala e o seu peso acrescido por um guarda-chuva a prevenir as ameaças do céu enfarruscado, lá fui descendo, apoiada na bengala, as escadas que ficam próximo da paragem do autocarro. Ora, mal cheguei ao fundo das escadas, fui interpelada por um homem que me queria vender uma rifa, “para nos ajudar, Senhora”. E como eu não lhe prestasse atenção, acrescentou: “A Senhora não gosta dos bombeiros?” Sem paciência, devido ao esforço e às dores que sentia, respondi-lhe: “Eu gosto é das pessoas que me ajudam quando eu preciso” Na pressa de apanhar o autocarro, ainda ouvi o homem: “Então os bombeiros não ajudam? Incêndios, afogamentos, quedas e…” muito mais ele deve ter enumerado mas eu já não ouvi mais nada. Não ouvi, mas andei estes dias atormentada com a minha falta de paciência:  fez-me  esquecer a minha enorme admiração  por estes “soldados da paz”, que tantas vezes arriscam e chegam a perder a própria vida para salvar quem está em perigo. Não tirou da sua caminha a atenção que devia ao próximo, a gratidão pela sua generosidade e disponibilidade e tantas outras virtudes que ali continuaram esquecidas.

            Que Nosso Senhor me perdoe e aumente a minha paciência, e, se neste fim-de-semana um bombeiro me quiser vender uma rifa, não só a comprarei de boa vontade, como não deixarei de lhe demonstrar, por algumas palavras amáveis, o quanto agradeço e admiro a sua abnegação.

           

                                               Lisboa, 10 de Maio de 2013

                                               Clementina Relvas

           

 

        

 

publicado por clay às 12:21 | link do post | comentar | favorito
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