Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Terça-feira, 19.02.13

 

Sua Santidade o Papa Bento XVI

 

Eis-me perante Vós, no meu deserto,

confiado, Senhor, na Vossa ajuda.

Sem forças no meu corpo, a alma inquieta

e a boca indecisa, quase muda.

 

Não Vos peço que transformeis as pedras

no pão de cada dia. Este me basta.

Não vivo só de pão: Vós sois o pão da vida

que  dessa tentação do Mal me afasta.

 

Não quero o poderio nem a glória,

jamais me prostrarei para adorar

a quem quer apossar-se da minha alma,

único bem que desejo guardar.

 

Nem a ajuda de todos os Seus Anjos

que Deus enviaria em meu socorro,

me deixará tentar o meu Senhor,

por Quem tenho vivido e por Quem morro.

 

Agora as forças já me abandonaram,

estou velho e doente, pouco valho,

mas Convosco a meu lado nada temo:

seja a oração meu constante trabalho.

 

Talvez devesse, com o Vosso exemplo,

abraçar minha Cruz junto ao meu peito.

Mas a seara é grande, e este trabalhador

da Vossa vinha sempre mais imperfeito.

 

Enviai, meu Senhor, à Vossa Igreja

quem tome o meu lugar com mais vigor,

cheio da Vossa Graça e que transforme

tudo o que Vos ofende em puro Amor.

 

 

  Lisboa, 13 de Fevereiro de 2013

 

            Clementina Relvas

 

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Sexta-feira, 15.02.13

 

   

PENSAMENTOS ESPIRITUAIS

 DO PAPA BENTO XVI

 

(comentários de Maria Joana

Bidarra de Almeida)

 

Meus queridos netos:

 

            A Fé não é fruto da natureza humana, mas é um dom de Deus e é graça, na medida em que for aceite como dom. Ao aceitá-lo, a pessoa transforma-se de acordo com esse dom.

 

            Não é adesão da pessoa a princípios e dogmas. Projeta-se para Deus, sempre novo. A Fé está no coração humano e não exige dele coisas extraordinárias A verdadeira alegria esconde-se, por vezes, atrás das pequenas coisas e obtém-se cumprindo diariamente os deveres com espírito de serviço.

 

            A Fé não é autossuficiente nem uma herança cultural. mas um chamamento de Deus. No abandono sereno e fiel da nossa liberdade ao Senhor, também as nossas obras se tornam sólidas, capazes de produzir um fruto permanente. O Homem torna-se tanto mais livre quanto mais incondicionalmente se comprometer com a verdade e com o bem.

 

            A luz que Jesus irradia é o esplendor da verdade (…). Jesus é a Estrela Polar da liberdade humana: sem Ele, ela perde a orientação, porque sem o conhecimento da verdade a liberdade perverte-se, isola-se e reduz-se a estéril arbítrio. Com Ele, a liberdade reencontra-se, reconhece a sua vocação para o bem e exprime-se em ações e comportamentos caridosos. O chamamento de Deus é a liberdade humana. Exige que a pessoa se abra à sua Graça. A Fé não se limita a dar informações sobre Cristo: supõe uma relação pessoal com Deus. E aí tem um papel fundamental a oração. A Fé não é uma teoria: fundamenta-se naquele que nos amou primeiro, até à oferta de si próprio na Cruz. A Fé e o seguimento de Cristo estão intimamente relacionados. Daí a necessidade da conversão, do amor que estimula, que conhece o caminho e que ensina a compreender que, com a graça de Deus, tudo é possível,

mesmo o que parece impossível.

 

            A Fé não se reduz a um sentimento privado, porventura a esconder quando se torna incómodo, mas implica a coerência e o testemunho público a favor do Homem, da justiça e da verdade.

 

                                   Lisboa, Quaresma de 2013

 

                                   Clementina Relvas

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