Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Segunda-feira, 29.06.09

                                           

(Aos meus queridos Netos)

 

 

 
  I
   
Era uma vez…uma vez  
uma cabrinha pequena;  
não tinha nascido branca  
e andava cheia de pena.  
  Tinha uma malha na testa,
  na sua testa morena,
  que mais parecia uma estrela.
  E andava cheia de pena!
Via neve, que era branca  
vestir a terra morena.  
E andava cheia de pena!  
E andava cheia de pena!  
   
  Do lado de lá do rio,
  p’ra lá da água serena,
  era branca, branca a margem
  que via, triste, a morena.
Os malmequeres eram brancos  
p’ra lá da água serena.  
- Anjos brancos, a brincar –  
pensava, triste, a morena.  
  Meteu ao rio uma pata,
  turvou a água serena,
  a cabrinha, que era triste
  e andava cheia de pena
Não o sabia tão fundo  
por ser a água serena.  
Sentiu frio, muito frio,  
muito mais frio que pena.  
   
   
  Era branca,  toda branca,
  tão branca a água serena,
  tão branca a alma branquinha
  desta cabrinha morena,
tão branco o fundo rio  
p´ra lá da água serena  
que até o frio passou  
e nunca mais teve pena!  
   
   II
   
  Era outra vez… outra vez
  outra cabrinha pequena.
  Também não nascera branca 
  e também esta cabrinha
Também havia uma malha andava cheia de pena.
na sua testa morena,  
que mais parecia uma estrela;  
E, como a outra cabrinha,   
andava cheia de pena.  
  Nem uma nem outra vira,
  na sua testa morena,
  uma quase, quase estrela
  e andavam cheias de pena!
  (Uma já não tinha pena…
  Era toda, toda branca, 
  para lá da água morena!)
Vivia na mesma margem  
p´ra cá da água, a Morena.  
E havia malmequeres brancos  
cobrindo a terra serena.  

 

 
  Meteu ao rio uma pata,
  e, sob a água morena,
  encontrou uma pedrita,
  uma pedrita pequena.
Pousou a pata na pedra,  
turvou-se a água serena;  
voltou atrás assustada  
a cabra triste e morena.  
   
  III
   
  Não vão agora pensar
  que a outra cabra morena
  de que primeiro falei
  era esta cabra morena.
E que a margem que ficava  
p´ra cá da água serena  
era a mesma em que vivera  
a outra cabra morena.  
  Esta mirou-se tão feia,
  na turva água morena,
  como as bruxas, que eram más,
  quando fora mais pequena.
Quase não acreditou  
(não era tola, a morena!)  
e voltou pé ante pé  
 até à água serena.  
  Debruçou a cabecita,
  a medo, a cabra pequena,
  fechou os olhos, fugiu,
  e não viu nada, a Morena.
   
Mas encheu-se de coragem  
e outra vez, já serena,  
foi espreitar a verdade  
por sob a água morena.  
  Nem bruxa nem meia bruxa:
  serena a água, serena,
  só mostrava uma cabrinha
  muito bonita e… morena!
Podia bem ser que fosse  
a mesma a cabra morena  
(nenhuma cabra era branca  
e ambas tinham muita pena)  
  Nem digo já que não era
  a mesma, a margem morena,
  coberta de malmequeres
  p’ra lá da água serena.
Que nestas coisas, a gente,  
por muito que tenha pena,  
nunca distingue bem feito  
a outra margem morena.  
  Agora o que era diferente
  por sob a água morena,
  era a pedra: uma pedrita
  humilde, pobre e pequena.

                                                                      

  

 

                                  

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publicado por clay às 19:56 | link do post | comentar | favorito
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