Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Sábado, 06.02.10

 

 Aqui vai mais uma cartinha, a última sobre o nosso amigo Hans, seguida do conto "O Patinho Feio"

   

                                   Meus queridos netos:
                        Vamos lá então, como prometido, com Jorge e José O’Neill, acompanhar o nosso amigo dinamarquês na sua nova viagem. Embora tenham ido de comboio até Coimbra, guardam para o fim a visita da célebre cidade universitária. Por agora, seguimos até Aveiro, mas o tempo não o vai deixar apreciar a beleza desta cidade: “Quando chegámos, descia o nevoeiro, húmido e agreste, um verdadeiro pedaço da névoa das costas do mar do Norte. Era a época das marés baixas, pelo que só vimos o fundo do rio pantanoso, sem corrente. A canalização da água, longa e baixa, exibia as paredes húmidas. As muitas mulheres que passaram por nós traziam roupas espessas mas pareciam tiritar sob os grandes xailes. Devo admitir que foi aqui que vi os primeiros belos rostos de mulher em Portugal, ainda que a sua beleza não fosse ajudada ou destacada pelo vestuário”.
                        Depois de relembrar o enforcamento do Duque de Aveiro no reinado de D. José, diz, desconsoladamente: “É esta cidade denominada a Veneza portuguesa, mas nada aí, a não ser os barcos à vara semelhantes às gôndolas, lembra a cidade do Adriático”. E um passeio de carruagem pelas ruas estreitas da cidade fê-lo chegar à seguinte conclusão: “A cidade em si nada nos ofereceu de notável”.  E, como Jorge O’Neill já tivesse resolvido os assuntos que aí o tinham levado, partem para Coimbra. Na estação, são assaltados por uma verdadeira horda de cocheiros a disputarem as bagagens e o lucro de os levarem nas respectivas carruagens, o que lhe fez lembrar Espanha. Mas tudo valeu a pena, pois é assim que Andersen nos fala de Coimbra: “ A cidade propriamente, elevava-se como todo um ramo de esplendorosas flores”. Depois faz a descrição das ruas e das casas, das escadarias que lhes dão acesso e detem-se na apreciação dos estudantes e dos seus trajes pitorescos: “Compõe-se duma casaca longa e preta e duma curta capa da mesma cor. A maior parte anda em cabelo, nas ruas e ao longo do rio Mondego. O barrete que alguns trazem é grande e pesado, uma espécie de barrete polaco pendente”.
                        Visita o Convento de Santa Cruz, onde o abandono é visível. Mas “Na igreja, de cada lado do altar-mor, erguem-se dois imponentes túmulos com figuras esculpidas em mármore. Aí repousam os restos de D. Sancho I e D. Afonso Henriques”. Sobe depois à Universidade, “edifício grande que ocupa todo o alto da cidade” e daí vai para o Jardim Botânico “rico em flores e árvores”, mas onde não se via “vivalma” Desce ao rio Mondego que mulheres de saias arregaçadas atravessavam a vau, e dirige-se, pela “ponte velha de muitos arcos”, para o Convento de Santa Clara e daí para a Quinta das Lágrimas, que o leva ao relato dos amores e morte de Inês de Castro, e aos versos de Camões: “ As filhas do Mondego a morte escura/Longo tempo chorando memoraram…”
                        No dia seguinte, foi com um amigo assistir à imposição do capelo a um jovem doutor, cerimónia que pormenorizadamente descreve. “Vi depois a imponente capela, a sala do trono e a biblioteca em estilo rococó”, onde o bibliotecário lhe mostrou várias edições raras de Os Lusíadas e duas Bíblias manuscritas, em hebraico, que muito o impressionaram pelo seu aprimorado lavor
                    Embora, entretanto, tivesse começado a chover, Andersen aconselha: “Coimbra é uma cidade que se deve visitar não apenas por uns dias mas durante algumas semanas, convivendo com os estudantes, procurando o ar livre e a bela natureza, isolando-se e deixando que na memória se desenrolem lendas e canções, recordando a história da cidade”.
 
               De regresso a Lisboa e, depois dum curto repouso na Quinta do Pinheiro, a partida para Sintra, “tão cantada pelos poetas”: o “novo paraíso” segundo Byron ou, como disse Garrett: “Aqui a Primavera tem o seu trono”. Andersen vai para casa de José O’Neill, nos arredores duma vila cheia de forasteiros, diplomatas e gente rica de Portugal, muitos dos quais aí têm as suas mansões.
 
                 O Palácio da Vila não lhe merece especial interesse. Diz apenas: “No velho palácio da vila passa o rei reinante, D. Luís, uma parte do Verão” e acrescenta: “..o velho palácio tem o aspecto de um convento com pequenos anexos. Os muitos terraplenos ajardinados têm todos fontes. Duas chaminés acopladas, que mais parecem garrafas de champanhe, dominam todo o edifício, a que falta inteiramente beleza”.  Já o mesmo não acontece com o palácio do rei D. Fernando (o Palácio da Pena), “no seu estilo meio mourisco, meio italiano”. “Diferente, mais belo e pitoresco, o palácio de D. Fernando eleva-se no alto, dominando toda a região” É pouco, mas a atenção do nosso viajante está toda concentrada na paisagem que o tem completamente rendido: “Todo o caminho da serra é um jardim, onde natureza e arte maravilhosamente se combinam, o mais belo passeio que se pode imaginar. Inicia-se com cactos, plátanos e magnólias para terminar com vidoeiros e espruces entre selváticos blocos de rocha. Gerânios de todas as espécies e cores floriam aí em grande quantidade, belos cardos brilhavam ao lado da murta com a sua neve de flores brancas e odorosas. Caminhos isolados subiam por entre velhos muros cobertos de hera e rochas que, ao caírem, haviam formado arcos naturais. Pode ver-se até bastante longe lá de cima, na direcção de Lisboa, até aos montes na outra margem do Tejo, o Oceano Atlântico distante e para os lados de Sintra, no fundo, a grande planície que se estende até ao Convento de Mafra. O ar estava tão límpido que julguei poder contar as janelas do palácio, embora estivesse a algumas milhas de distância”.
                 Foi com muita saudade que Andersen teve de deixar esta vila que tanto o encantou e onde reencontrou alguns amigos, entre os quais o Marquês de Fronteira. Mostra-o com estas belas palavras: “Diz-se que todo o estrangeiro poderá encontrar em Sintra um pedaço da sua pátria. Eu descobri a Dinamarca”.
                E, depois duma noite tempestuosa na Quinta do Pinheiro e de alguns dias passados em Lisboa, embarcou finalmente, com tempo auspicioso, no navio “Navarro”, “um verdadeiro hotel flutuante”, onde fez uma agradável viagem até Bordéus e donde partiu de novo para a sua amada Dinamarca.
Que grande viagem por Portugal! Gostaram? Eu adorei.
Beijinhos dos Vovós

O Patinho Feio, um dos contos mais populares de Andersen:

Estava muito agradável no campo. O ar rescendia a Verão; o milho estava amarelo; a aveia estava pronta a ser ceifada; as medas de feno nos prados pareciam pequenas colinas de erva e a cegonha passeava por cima delas com as suas longas pernas vermelhas. A toda a volta dos campos havia bosques e florestas com fundos lagos de água fresca. Sim, estava mesmo muito agradável no campo. E, brilhando ao sol, podia ver-se uma velha mansão rodeada por um fosso. Grandes folhas de azedas cresciam nas paredes até à água; algumas eram tão grandes que uma criança podia ficar de pé debaixo delas. À sombra podia-se até pensar que se estava numa florestazinha secreta e primitiva.

Era aí que uma pata chocava os seus ovos no ninho. Porém, já estava a ficar bastante farta, porque os patinhos nunca mais apareciam; quanto a visitas, quase não as tinha; os outros patos preferiam nadar no fosso a ir ter com ela debaixo das grandes folhas para conversar.

Por fim, os ovos começaram a estalar, um a seguir ao outro.

— Pip, pip!

O ninho ficou cheio de avezinhas que deitavam as cabeças fora das cascas.

— Quac, quac! — disse a mãe. — Depressa, depressa! E as criaturinhas saíram o mais depressa que puderam e olharam à sua volta, no abrigo de folhas verdes; e a mãe deixou-as olhar à vontade, porque o verde faz bem aos olhos.

— Como o mundo é grande! — disseram os pequenos.

É claro que agora tinham muito mais espaço do que dentro dos ovos.

— Pensam que o mundo é só isto, seus patetas? — perguntou a mãe. — Ora! O mundo estende-se muito para além do outro lado do jardim, mesmo até ao campo do vigário. Embora, verdade seja dita, eu nunca tenha lá estado. Já cá estão todos, não estão? — Levantou-se do ninho. — Não, tu ainda não. Ainda falta o ovo maior. Quanto tempo demorará ainda? Estou mesmo farta disto, se querem saber.

E lá tornou a deitar-se.


— Bem, que tal vão as coisas? — perguntou uma velha pata que veio visitá-la.

— Este ovo está a demorar um tempo horrível — disse a mãe pata. — Não há meio de estalar! Mas olhe para os outros! São os patinhos mais bonitos que já vi, tal e qual o pai, aquela peste, que nunca vem visitar-me!

— Deixe lá ver o ovo — disse a velha pata. — Ah! Acredite no que lhe digo, isso é um ovo de peru. Uma vez aconteceu-me a mesma coisa e nem calcula o trabalho que tive com os miúdos! Como eram perus, tinham medo da água, e não consegui metê-los lá. Deixe ver. É, é um ovo de peru. Deixe-o ficar e vá ensinar os outros a nadar.

— Bem, vou aguentar um pouco mais — respondeu a pata. — Já aqui estou há tanto tempo que mais vale acabar o trabalho.

— Está bem, faça como quiser — respondeu a velha pata, e foi-se embora.

Por fim, o grande ovo estalou.

—Pip, pip! — disse o jovem, saindo cá para fora.

Mas que grande e que feio que ele era! A mãe olhou para ele.

— Que grande patinho! — pensou. — Será mesmo um peru? Bem, já vamos ver; há-de ir para a água, nem que eu tenha de o empurrar.

No dia seguinte, o tempo estava lindo, e a mãe pata saiu com todos os filhos e desceu até ao fosso, onde mergulhou.

— Quac, quac! — chamou ela.

E, um atrás do outro, os patinhos saltaram para a água. Ficaram com as cabeças debaixo de água, mas vieram logo à tona, e em breve nadavam afanosamente. As suas patinhas mexiam-se naturalmente, e lá estavam todos — até o feio cinzento nadava com os outros.

— Não, isto não é um peru! — exclamou a mãe. — Que bem que ele usa as patas e que direito que nada. É meu filho, isso não há dúvida. Realmente, é bem bonito, se virmos bem. Quac, quac! Venham comigo, meninos; venham conhecer o mundo e as outras aves da quinta; mas fiquem perto de mim, para ninguém os pisar. E cuidado com o gato!


E lá foram para o pátio da quinta. Aí havia um barulho horrível e grande agitação, porque duas famílias discutiam por causa da cabeça de uma enguia — e afinal quem a apanhou foi o gato.

— O mundo é assim — disse a mãe pata.

Ficou com água no bico, porque também ela teria gostado de apanhar a cabeça da enguia.

— Vá, usem as pernas; despachem-se e façam uma vénia à velha pata que está ali! E a pessoa mais importante da quinta; os antepassados dela vieram da Espanha e, como vêem, tem um pedacinho de pano vermelho atado a uma pata. Isso é uma coisa muito especial: significa que ninguém a pode matar e que tanto os homens como os animais têm de a tratar com respeito. Venham! Não metam os pés para dentro! Um patinho bem educado anda com os pés bem afastados, como o pai e a mãe. Vá! Façam uma vénia e digam: «Quac!».

Os patinhos fizeram o que ela lhes disse, mas os outros patos do pátio olharam para eles e disseram em voz alta:

— Lá vamos ter de aturar estes, como se já não fôssemos bastantes! E, meu Deus!, que patinho tão esquisito aquele! Não o queremos com certeza por aqui.

E um pato esvoaçou em direcção ao patinho cinzento e deu-lhe uma bicada no pescoço.

— Deixa-o em paz — disse a mãe. — Ele não está a incomodar ninguém.

— Pois não, mas é muito grande e tem um ar esquisito — respondeu o pato que o tinha bicado. —Tem de ser metido na ordem.

— Bela família — comentou a velha pata com o paninho vermelho à volta da perna. — Os patinhos são todos bonitos, excepto aquele, não pode ser. Se ao menos a mãe pudesse tornar a fazê-lo!

— Isso é impossível, Vossa Senhoria — disse a mãe pata. — É verdade que não é bonito, mas tem bom feitio e nada tão bem como os outros. Atrevo-me até a dizer que, quando for crescido, é capaz de vir a ser mais bonito e talvez, com o tempo, um pouco mais pequeno. Ficou tempo de mais dentro do ovo e foi isso que lhe estragou o aspecto. — Ajeitou-lhe a penugem do pescoço e alisou-lhe uma penita ou outra. — Além disso — acrescentou —, é um pato, por isso não tem muita importância se é bonito ou feio. É saudável, tenho a certeza, e há-de vingar neste mundo.

— Seja como for, os outros patinhos são encantadores — retorquiu a velha pata. — Bom, estejam à vontade, e se encontrarem uma cabeça de enguia podem trazer-ma.

Isto foi o primeiro dia; depois, a sina do patinho cinzento piorou. Que infeliz se sentia por ser tão feio! Era perseguido por todos. Os patos tentavam dar-lhe bicadas; as galinhas também; e a rapariga que dava de comer aos animais empurrava-o com o pé. Até os irmãos e as irmãs estavam contra ele e diziam:

— Feio! Era bem feito que o gato te apanhasse!

A mãe também dizia em voz baixa:

— Quem me dera que estivesses longe...


Recorte em papel feito por Hans Christian Andersen

Recorte em papel feito por Hans Christian Andersen
Fonte: Museus da Cidade de Odense

E então ele foi-se embora. Primeiro, voou por cima da sebe — e os passarinhos nos arbustos voaram alarmados.

«É por eu ser tão feio», pensou o patinho, fechando os olhos.

Mas continuou o seu caminho. Por fim, chegou aos charcos onde vivem os patos bravos e ficou lá deitado toda a noite, porque estava muito cansado e triste.

De manhã, os patos bravos apareceram e observaram o seu novo companheiro.

— Que espécie de criatura és tu? — perguntaram.

O patinho virou-se para cada um e cumprimentou-os o mais amavelmente que pôde.

— És mesmo feio, lá isso és! — disse um pato bravo. — Mas isso pouco importa, desde que não cases com nenhuma das nossas filhas.

Pobrezinho do patinho. A ideia de casar nem sequer lhe tinha vindo à cabeça. Tudo o que queria era deitar-se e descansar nos juncos e beber um pouco da água do charco.

Ali ficou durante dois dias, até que apareceram dois gansos selvagens — dois jovens machos. Também tinham nascido há pouco, mas eram muito vivos e descarados.

— Olá, amigo — disseram. — És tão feio que gostamos de ti. Que tal vires connosco quando voarmos para mais longe? Num charco perto daqui há umas lindas gansas, belas raparigas, com um «quac!» que vale a pena ouvir. Com o teu aspecto esquisito pode ser que tenhas sorte com elas.

Nesse momento ouviu-se «bang!, bang!» e ambos os alegres gansos caíram mortos nos juncos. A água ficou vermelha de sangue. Outra vez «bang!, bang!» — e um bando de gansos selvagens levantou voo dos juncos. Era uma grande caçada. Os desportistas estavam a toda a volta do charco; alguns estavam mesmo empoleirados nas árvores. Fumo azul subia como nuvens dentro e fora dos ramos escuros e ficava a pairar sobre a água. Os cães faziam tchac!, tchac!, pela lama, esmagando os juncos. O pobre patinho estava aterrorizado; quando tentava precisamente esconder a cabeça debaixo da asa um cão enorme e assustador parou em frente dele com a língua de fora e os olhos a brilharem de uma maneira horrível. Encostou o focinho ao patinho, arreganhou os dentes aguçados e depois — tchac!, foi-se embora sem lhe tocar.

— Oh, graças a Deus! — suspirou o patinho. — Sou tão feio que até o cão pensa duas vezes antes de me morder. E ficou muito quieto enquanto ouvia os tiros, um após outro, guincharem e troarem pelos juncos. O dia já ia longo quando o barulho parou; mas a pobre criatura nem então se atreveu a mexer-se. Por fim, levantou a cabeça, espreitou cautelosamente em redor e apressou-se a fugir do charco tão depressa quanto pôde. Correu por campos e prados, mas o vento soprava tão forte contra ele que era difícil avançar.


Perto da noite, chegou a um casinhoto miserável; estava em tal estado que nem sabia para que lado havia de cair, de modo que continuava de pé. O vento soprava com tanta força que o patinho teve de se sentar para não ser levado por ele, mas o vento parecia ficar cada vez mais forte. Então notou que a porta já não tinha uma dobradiça e estava pendurada de tal modo que ele conseguia esgueirar-se lá para dentro, e foi isso mesmo que fez.

No casinhoto vivia uma velhota com um gato e uma galinha. O gato, a quem ela chamava Filhinho, sabia arquear as costas e fazer ronrom; também fazia faíscas, mas só quando lhe faziam festas ao contrário. A galinha tinha umas pernitas curtas e por isso chamava-se Pinta-Pernas-Curtas. Punha muitos ovos, e a velhota gostava dela como se fosse sua filha.

Quando amanheceu, repararam logo no estranho pequeno visitante. O gato começou a fazer ronrom, e a galinha a cacarejar.

— O que é que aconteceu? — perguntou a velhota, olhando a toda a volta.

Mas já não via muito bem, de modo que tomou o pequeno recém-chegado por uma pata adulta.

— Ora isto é que é sorte! — exclamou ela. — Agora vou ter ovos de pata... desde que não seja um pato. Bem, veremos...

E o patinho ficou à experiência durante três semanas, mas não apareceram ovos.

O gato era o senhor da casa, e a galinha a senhora. Passavam a vida a dizer «Nós e o mundo...», porque pensavam que eram metade do mundo e, claro, a metade melhor. O patinho achava que podia haver outras opiniões sobre o assunto, mas a galinha não queria ouvir falar nisso.

— Sabes pôr ovos? — perguntou. — Não? Então, faz o favor de guardar as tuas opiniões para ti próprio!

O gato perguntou:

— Sabes arquear as costas e fazer ronrom ou soltar faíscas? Não? Então o melhor que tens a fazer é ficares calado quando as pessoas sensatas estão a falar.

De maneira que o patinho se sentava a um canto e aborrecia-se. Vinham-lhe à ideia pensamentos sobre o ar livre e o sol, e depois uma saudade extraordinária de flutuar na água. Por fim, não pôde deixar de falar nisso à galinha.

— Que ideia tão disparatada! — exclamou ela. — O teu mal é não teres nada que fazer; por isso é que tens essas fantasias. Põe mas é uns ovos ou tenta fazer ronrom que isso passa-te.

— Mas é tão delicioso flutuar na água — disse o patinho. — É tão bom baixar a cabeça e mergulhar até ao fundo!

Deve ser óptimo! — disse a galinha sarcasticamente. — Não deves estar bom da cabeça! Pergunta ao gato, que é a pessoa mais inteligente que conheço, se ele gosta de flutuar na água ou de mergulhar até ao fundo. Não faças caso da minha opinião; pergunta à nossa dona, a velhota: não há ninguém mais sábio no mundo inteiro. Achas que ela quer flutuar ou meter a cabeça dentro de água?

— Não compreendes... — disse o patinho tristemente.

— Bem, se nós não te compreendemos, ninguém compreenderá. Nunca saberás tanto como o gato ou a velhota, para já não falar de mim. Não tenhas peneiras, miúdo, e agradece as coisas boas que te têm acontecido. Não encontraste um quarto quente e companheiros elegantes, com quem podes aprender muito se prestares atenção? Mas tu só dizes disparates; nem sequer és uma companhia alegre. Acredita que o que te digo é para teu bem. Vá, faz um esforço e põe uns ovos ou, pelo menos, aprende a fazer ronrom e a deitar faíscas.

— Acho que o melhor é ir por esse mundo fora — respondeu o patinho.

— Então vai — exclamou a galinha.


E o patinho lá foi. Boiou na água e mergulhou; mas parecia-lhe que os outros patos não faziam caso dele por ele ser feio.

Até que chegou o Outono: as folhas do bosque ficaram castanhas e amarelas; o vento apanhava-as e fazia-as rodopiar como loucas; até o céu parecia gelado; as nuvens pairavam, pesadas com granizo e neve, e o corvo, empoleirado numa sebe, gritava «crá, crá» por causa do frio. Só de olhar para aquilo ficava-se logo a tremer. Foi um tempo difícil também para o patinho.

Uma tarde, com o céu avermelhado pelo pôr do Sol, um bando de grandes aves maravilhosas ergueu-se dos juncos. O patinho nunca tinha visto aves tão belas. Eram de um branco brilhante, com longos pescoços graciosos — na verdade, eram cisnes. Emitindo um estranho som, abriram as esplêndidas asas e voaram para longe, para terras mais quentes e lagos que não gelavam. Voaram até bem alto e o patinho feio ficou muito excitado; andava à roda, à roda, na água, e chamou-os com uma voz tão alta e estranha que até ele próprio se assustou. Oh, nunca esqueceria aquelas aves maravilhosas, aquelas aves felizes! Assim que a última desapareceu, mergulhou mesmo até ao fundo e, quando voltou de novo à superfície, estava excitadíssimo. Não sabia como se chamavam as aves; não sabia de onde tinham vindo nem para onde voavam — mas sentia-se mais atraído por elas do que por qualquer outra coisa.

No Inverno ficou ainda mais frio. O patinho tinha de nadar às voltas na água para esta não gelar, mas cada noite a parte sem gelo se tornava mais pequena. Depois, tinha de bater com os pés a toda a hora, para quebrar a superfície; por fim, acabou por ficar estafado. Parou e depressa gelou completamente.


De manhã cedo apareceu um camponês. Vendo a ave, foi até lá, partiu o gelo com os socos de madeira e levou-a para casa, para a mulher. Pouco tempo depois, o patinho reanimou-se. As crianças queriam brincar com ele, mas ele julgava que queriam fazer-lhe mal e, assustado, voou para dentro da selha do leite. O leite salpicou a sala toda; a mulher deu um grito e deitou as mãos à cabeça; depois, o patinho voou para dentro da cuba da manteiga, depois para o barril da farinha, e depois saiu. Meu Deus, que espectáculo! A mulher, ainda aos gritos, atirou-lhe o atiçador da lareira; as crianças, rindo e guinchando, caíam umas por cima das outras, tentando apanhar o patinho. Felizmente, a porta estava aberta; lá foi ele a correr para os arbustos e para a neve recém-caída e aí ficou meio entontecido.

Mas seria demasiado triste contar-vos todas as dificuldades e infelicidades por que ele teve de passar durante aquele Inverno cruel. Um dia, estava a tentar aconchegar-se entre os juncos do charco quando o Sol começou a enviar novamente raios quentes; as cotovias cantavam; que maravilha! Tinha chegado a Primavera. O patinho ergueu as asas. Pareciam mais fortes do que antes, e levaram-no velozmente para longe; antes de perceber o que estava a acontecer, encontrou-se num lindo jardim cheio de macieiras em flor, com lilases perfumados que pendiam dos seus longos ramos mesmo até um riacho sinuoso. E então, mesmo em frente dele, saindo das sombras das folhas, apareceram três magníficos cisnes brancos, agitando as penas enquanto deslizavam pela água. O patinho reconheceu as maravilhosas aves e sentiu uma estranha tristeza.

— Vou voar até àquelas nobres aves, mesmo que me matem à bicada por me atrever a aproximar-me, feio como sou. Mas não me importo... é melhor ser morto por umas criaturas tão esplêndidas do que apanhar bicadas de patos e galinhas e pontapés da rapariga da quinta ou ter de aguentar outro Inverno como o último.


Voou para a água e nadou em direcção aos magníficos cisnes. Estes viram-no e vieram ter com ele a toda a velocidade, agitando a plumagem.

—Vá, matem-me — disse o pobre patinho curvando a cabeça mesmo até à água enquanto esperava pelo fim.

Mas o que é que viu ele reflectido em baixo? Observou-se bem — já não era uma desajeitada ave feia e cinzenta. Era igual às orgulhosas aves brancas ali ao pé: era um cisne!

Não interessa nascer num terreiro de patos quando se sai de um ovo de cisne.

Sentiu-se feliz por ter sofrido tantas dificuldades, porque agora dava valor à sua boa sorte e ao lar que finalmente tinha encontrado. Os majestosos cisnes nadaram à sua volta e acariciaram-no com admiração com os bicos. Umas criancinhas apareceram no jardim e atiraram pão para a água e a mais pequenina gritou alegremente:

— Há mais um!

E as outras disseram, encantadas:

— E verdade, apareceu mais um cisne!

Bateram palmas e dançaram de contentamento; depois foram a correr contar aos pais. Deitaram mais pão e bolo para a água e todos disseram:

— O novo é o mais bonito de todos. Olhem que belo que é, aquele novo!

E os cisnes mais velhos curvaram as cabeças diante dele.

Ele sentia-se muito envergonhado e escondeu a cabeça debaixo de uma asa; não sabia o que fazer. Estava quase feliz de mais, porque um bom coração nunca é orgulhoso nem vaidoso. Lembrava-se dos tempos em que tinha sido perseguido e desprezado, e agora ouvia toda a gente dizer que era a mais bela de todas aquelas maravilhosas aves brancas. Os lilases curvaram os ramos até à água para o saudarem; o Sol enviou o seu calor amigo, e a jovem ave, com o coração cheio de alegria, agitou as penas, ergueu o pescoço esguio e exclamou:

— Nunca pensei que alguma vez pudesse sentir tamanha felicidade quando era o patinho feio!

Hans Christian Andersen 

Texto recolhido em http://guida.querido.net

 

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Terça-feira, 15.07.08

 

Meus queridos netos:

 

Acabadas as tarefas do meu estágio, viemos novamente, em 1971, passar umas longas férias a Portugal.


Como já vos contei, eu estava ainda muito combalida por um esgotamento nervoso e, logo que os grandes calores de Dezembro trouxeram, com as primeiras chuvas, as férias grandes, partimos para Portugal, desta vez num óptimo avião da T.A.P. e em primeira classe.


Quando chegámos ao Aeroporto da Portela, estava um frio de rachar e logo o Zé António se saiu com esta exclamação:


- Olha, Mamã, já viste aqueles senhores que vieram esperar o avião com os robes de lã como o Papá usa lá em casa? É que eles nunca tinham visto um sobretudo, incompatível com as temperaturas tropicais!

 

Depois duma pequena pausa em Lisboa para desalfandegarmos um Audi acabado de chegar da Alemanha e que foi o nosso primeiro carro ainda não usado por outra pessoa, foi nele que seguimos rumo a Portalegre onde, como da primeira vez, fizemos o nosso quartel-general.

 

No entanto, os filhos foram para um Colégio interno, em Tondela, o Quim para a 4ª classe e o Zé para o 1º ano do Ciclo Preparatório, pois eu não estava em condições físicas e psicológicas para cuidar deles e os acompanhar nos estudos. Tínhamos tido muito boas referências deste Colégio e, para acompanhar a sua evolução, nós íamos visitá-los pelo menos uma vez por mês.


Ainda em Janeiro, fomos todos a Távora, visitar a minha irmã e a sua família e regressámos por Viseu, onde visitámos o Museu Grão Vasco, a imponente Sé Catedral e também, em homenagem patriótica, a Cava de Viriato com a estátua deste guerreiro, chefe dos Lusitanos e, portanto, nosso valoroso antepassado. Fizemos uma paragem em Fátima, onde, com a oferta das nossas velas, demos graças a Nossa Senhora por todas as vezes que, intercedendo em nosso favor, nos cumulara com tantas bênçãos.Passadas as férias do Carnaval na Broa e com frequentes passeios, com os Bisavós, à Serra de S. Mamede, toda coberta de neve, que os nossos filhos, deslumbrados, puderam apreciar pela primeira vez, partimos a caminho do Colégio de Tondela, não sem fazermos uma pausa que nos permitiu visitar Coimbra: tanto a velha Cabra como a moderna Cidade Universitária, o magnífico Jardim Botânico e ainda o Museu Machado de Castro. Não podíamos deixar passar a ocasião, dada a idade dos nossos acompanhantes, de fazer uma visita demorada ao Portugal dos Pequeninos, com a competente explicação de monumentos e arquitectura civil, ali amorosamente preservados, em minuciosa e perfeitas miniaturas, para memória dos vindouros.
Dali fomos ao Mosteiro da Batalha, procurando fazê-los compreender, não só o alto significado histórico daquele monumento como também, na medida do possível, a sua riqueza arquitectónica, que tão bem ilustra o gótico flamejante. Ficaram estupefactos com a beleza das Capelas Imperfeitas e estranharam a designação até lhes termos explicado que se designavam assim porque nunca foram concluídas, portanto per-feitas, ou seja, completamente feitas.

          


Entretanto chegou o dia dos meus anos e, instalados em Mérida, no Parador Via de La Plata, visitámos, só o Vôvô e eu, aquela histórica cidade, cheia de monumentos notáveis, entre os quais se destaca o emblemático Arco de Trajano.

               


E chegaram, finalmente, as tão ansiadas Férias da Páscoa. Partimos imediatamente para o Colégio de Tondela e daí, passando pelo Caramulo para visitarmos o merecidamente célebre Museu dos Automóveis Antigos, seguimos para o Porto, onde visitámos demoradamente o Palácio de Cristal, sem faltar o tradicional passeio de barco, no Lago. Admirámos ainda as esplendorosas talhas douradas da Igreja de S. Francisco e subimos ao alto da Torre dos Clérigos para de lá apreciarmos as vastas panorâmicas sobre a Cidade.


Tinha, pois, começado auspiciosamente aquele passeio cultural, mas ainda estava praticamente no início. Começáramos por Távora, para visitarmos a Tia Maria Alice e a sua família, então ainda sem a Cândida e Lele que viriam nos tempos próximos. Fomos, todos, ao Pereiro para eu lhes mostrar a casa onde nasci e os sítios encantados da minha infância e dali partimos para o Pisco, uma quinta onde o meu tio Carlos tinha feito a reprodução dum monte alentejano, com dependências para o caseiro, para os animais e até um pombal onde os pombos arrulhavam, fugindo em debandada cada vez que o altifalante emitia ordens para o pessoal, ocupado a tratar das extensas vinhas e pomares. Fomos também a Lamego, onde visitámos a Sra. dos Remédios com o seu monumental escadório e a Sé, esta um pouco apressadamente porque a minha irmã se sentia bastante enjoada, devido às muitas curvas da estrada Távora-Moimenta da Beira e à gravidez de que ainda se não tinha dado conta e de que havia de resultar, daí a alguns meses, mais uma sobrinha para mim: a Cândida.


Dali seguimos para o Nordeste Transmontano: passámos por Alijó e admirámos o seu Miradoiro, com uma imponente imagem a Nossa Senhora, Padroeira de Portugal e do Mundo, fotografámos a porca pré-histórica, que se encontra num monumento do centro de Murça,

dessedentámo-nos nas belas fontes de Mirandela e encantámo-nos com Romeu, «vila das rosas» e Vilaverdinha, aldeias transmontanas melhoradas, o que, na época, era autêntico pioneirismo. Já em Miranda do Douro, apreciámos os majestosas arcarias do antigo Paço Episcopal e os miúdos encantaram-se com o Menino Jesus da Cartolinha e os seus variados trajes para as diferentes festividades.

                   

 

Fomos dormir à Pousada, num quarto que tinha a seus pés uma imensa barragem de água muito azul e uma baliza deserta por trás do Paço, desafiou o Zé António para simular umas fantásticas defesas.


Daqui fomos para Bragança. Visitámos o Castelo, de lá a panorâmica sobre a cidade e o Quim ficou cheio de importância ao ser fotografado com a enorme chave que lhe emprestaram, qual pequeno alcaide do séc. XX.

          

Passámos depois pela «Domus Municipalis», impressionante pela originalidade daquela antiquíssima construção e pelo papel que, em tempos longínquos desempenhou na vida cívica do burgo.. Em Chaves, também não deixámos esquecido o vetusto Castelo, com as suas ameias ponteagudas, mas o que mais nos impressionou foram as típicas varandas e os velhos solares, muito bem conservados. Ficámos intalados na Estalagem Santiago, muito confortável e, depois dum curto passeio à beira-Tâmega, ainda tivemos tempo para ir espreitar o rally, a decorrer em Carvalhelhos. Atravessámos a deslumbrante paisagem das barragens e não quisemos deixar de ir a Montalegre, no Barroso, onde comemos o melhor bife das nossas vidas.


Seguiu-se então o Minho: em Braga visitámos o Bom Jesus, trepámos toda aquela escadaria com os seus passos do Calvário e, em Viana do Castelo, subimos ao Monte de Santa Luzia, admirando um panorama que parecia não mais acabar e fomos ver as citânias, impressionantes na sua antiguidade e manifesta prova de que o Mundo começou há muitos e muitos anos. Claro que passámos por outros sítios inesquecíveis: Vila do Conde Póvoa do Varzim, Ofir, Caminha e, por Valença, entrámos na Galiza.


Passámos por Vigo, admirando as espectaculares rias baixas, a deixarem emergir as numerosas Islas Cies, mas seguimos para Santiago de Compostela, onde a majestosa catedral de granito não iludiu as nossas expectativas. Estava-se em Ano Santo, o que nos possibilitou assistir à cerimónia do botafumeiro, um descomunal turíbulo que oito homens balançavam para encher com perfume de incenso todo o interior da Igreja, em cujas varandas superiores se acolhiam, em tempos idos, os peregrinos sujos e doentes. que tornavam o ar irrespirável e malsão.

 

 

Foi essa antiquíssima cerimónia e o gesto simbólico de dar uma cabeçada na escultura do Apóstolo, na esperança de, assim, verem acrescentados os seus dotes intelectuais, que maior impacto tiveram nos dois rapazinhos. A nós, além da sensação de pequenez que tivéramos, logo à chegada, perante a gigantesca mole granítica da Catedral, a harmonia grandiosa da Praça do Obradoiro, com o conhecido e caro Hostal de los Reys Católicos, a artística escadaria conhecida por Ferradura, deslumbrou-nos, sobretudo, o interior da Catedral, com os seus magníficos altares, especialmente o altar-mor, dedicado a Santiago, onde se encontra uma escultura do Apóstolo, cuja capa todos querem abraçar, os órgãos monumentais que, nas grandes ocasiões, inundam de música todo o espaço como se os anjos do Céu se tivessem congregado ali para louvar a Deus e nos transportarem até Ele., o rico Museu da Catedral e o claustro com suas arcadas, donde se avistam as bem lançadas torres e coruchéus.


Seguimos, então, para La Coruña, onde o monumento dos Anjos músicos representou, para nós, as boas vindas da “Galícia, terra meiga» e pudemos apreciar, do alto da Torre de Hércules, a vasta e interessante panorâmica da cidade e do mar que a rodeia. Regressávamos, agora, por Vigo mas, entretanto, alguém fez uma esmorradela no nosso Audi, logo se prontificando a mandar arranjar a chapa e a dar-nos uma pequena indemnização para, em Portugal, restaurarmos a pintura e, assim, não perturbarmos muito a nossa viagem. Aproveitámos a inesperada pausa para subir ao Monte Castro, magnífico Miradoiro donde se avista não só a cidade mas também um largo espaço das rias e se pode admirar um monumento aos galeões que, no princípio do século dezoito, naufragaram naquelas águas: três âncoras elegantemente justapostas sobre uma vasta base de mármore. À noite, no hotel, assistimos pela primeira vez ao Festival da Canção, vendo a Tonicha representar Portugal com a simples mas melodiosa canção “Menina”, muito divulgada, depois, pela Televisão e pelas rádios.


Ainda visitámos a Catedral de Pontevedra e eu, que tanto admiro a poesia de Rosalía de Castro, tentei uma peregrinação à casa da poetisa galega, prémio Nobel da Literatura, mas encontrava-se em grande estado de degradação, fechada e com tábuas espalhadas em redor, talvez o começo dos preparativos para a sua reconstrução. Quisemos terminar a nossa viagem à Galiza com a visita à Catedral de Tuy, ali perto da fronteira portuguesa, mas encontrámo-la encerrada.


Assim, regressámos a Portugal para completar um circuito que, como vêem, foi enriquecedor de todos os pontos de vista. Mas como já devem estar cansados de nos acompanhar nesta longa viagem, a ela voltarei na próxima carta pois as férias da Páscoa ainda mal vão a meio.

 

A nossa longa estadia em Angola sem virmos a Portugal e o desconhecimento que os nossos dois filhos (agora já mais crescidos) tinham do nosso querido país mais que justificavam esta autêntica peregrinação que acabo de vos relatar com continuação na próxima carta.


Muitos beijinhos e abraços desta Vóvó que, enquanto Deus lhe der forças para isso, não trocará por nada esta queda de andarilha.

 

publicado por clay às 00:56 | link do post | comentar | favorito
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