Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Terça-feira, 26.10.10

                         

 

Meus queridos netos:

                                                                                                                                                                                Conversava, há dias, com o pai do Zezinho e a conversa, como sempre sucede nestes dramáticos tempos por que estamos a passar, imediatamente se focou na crise que o País atravessa: a perda de regalias, mesmo pequenas, que as pessoas empregadas viram esvair-se como fumo, a insegurança quanto à conservação do posto de trabalho e, pior do que tudo, a perda do emprego, muitas vezes dos dois membros do casal. Pessoas que tinham como importantes, quando não únicos objectivos da sua vida, umas férias exóticas num país longínquo, um ou mais carros de alta cilindrada, inúmeros gadjets, todos topo de gama e da última geração viram-se, de repente, defrontados com o problema de pagar a prestação da casa, quando não com a sobrevivência, sua e da família. Já tínhamos referido, como casos inaceitáveis, as míseras reformas de certos idosos que se vêem obrigados a só aviar parte dos medicamentos que lhes são receitados e a alimentar-se com o mínimo possível, mas, o que de facto mais nos deu que pensar foram essas pessoas da classe média que, de repente, viram desabar o seu confortável mundo.

 

                        Dizia o Zé:

 

                       - Ó mãe, quanto a mim, actualmente, há três grupos de pessoas: as que mal conseguem sobreviver, mas já estavam habituadas a passar privações; as da classe média que tiveram de abdicar de muitos sonhos e se viram arrastados para o número dos novos pobres e aqueles que se julgam muito seguros nos postos de trabalho que ainda ocupam e continuam a viver como sempre, julgando-se imunes à crise.

 

                            - Bom, não devemos ser tão pessimistas: basta olhar para as redes de solidariedade social e mesmo para as acções individuais de ajuda aos que mais precisam.

 

                       - De acordo. Mas eu olho à minha volta e vejo muitas pessoas novas e sem trabalho que, no limite da sua resistência, mergulham na depressão, um dos maiores flagelos do nosso tempo.

 

                        - Pois é. Mas, se aprofundares mais o assunto, verificarás que há ainda outra crise, na raiz das já citadas, e que não figura nas estatísticas: a crise de valores e, sobretudo, a crise que resulta de as pessoas se terem paganizado, afastado dos mandamentos, desprezando a justiça e o amor de Deus. Ou, como diz S. Paulo aos Gálatas, terem deixado de se guiar pelo Espírito, deixando-se escravizar pela carne e pelos seus apetites e paixões. É que, sem Deus, não há verdadeira vida e toda a obra humana se desmorona como se tivesse sido erguida sobre areia.

 

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publicado por clay às 14:11 | link do post | comentar | favorito
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