Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Sexta-feira, 07.11.08


Meus queridos netos:


Depois de toda esta já longa viagem, encontramo-nos agora num dos numerosos bazares, frequentemente bares ou restaurantes e lojas de artigos típicos (aqui há principalmente tapetes e louças) para descansarmos um pouco antes de nos abalançarmos à estrada que nos conduzirá à cidade arqueológica de Petra, que dista 255 kms de Amman e que é a «jóia da coroa» da Jordânia e considerada uma das maravilhas da Humanidade, embora, dada a sua localização no fundo de gargantas alterosas, tenha permanecido esquecida praticamente até aos princípios do século XIX


Pelo caminho fomos vendo, no alto dos montes, castelos em ruínas ou restaurados, do tempo dos Cruzados. E, a certa altura, tivemos de deixar o autocarro e continuar, pelo Siq (desfiladeiro), a pé, ou, como foi o nosso caso, numa desengonçada carroça puxada por um esquelético cavalo cujas correrias e saltos quase nos desconjuntavam, até chegarmos, finalmente, ao Largo do Tesouro, onde se encontra a célebre e magnífica porta que é o «ex-libris» da cidade.


Petra foi construída, toda talhada na rocha vermelha, pelos nabateus durante os sécs. 2º a 5º A. C., tendo sofrido múltiplas invasões e influências até ao ano 106 D. C., em que foi conquistada pelo imperador Trajano, que também aí deixou muitas marcas da civilização romana: uma calçada com seis m. de largura, arcos, colunas, um anfiteatro.


A visita, de l,5 kms. a pé, começou, como não podia deixar de ser, pelo Tesouro, a famosa porta (ainda mais famosa depois de aí ter sido filmado Indiana Jones e o segredo da Caveira), seguindo pela Rua das Fachadas, onde há impressionantes restos de palácios e túmulos escavados na rocha. No final desta rua aparece mais um grupo de casas e grutas bem como um anfiteatro, construído durante o reinado de Aretas IV, (8 a 40 D. C.) mas que também não escapou à influência romana. Tem 33 filas de degraus cavados na rocha e capacidade para 7.000 espectadores. É impossível admirar detalhadamente, num só dia, toda a fantástica obra do homem gravada no arenito vermelho de Petra. De cabeça erguida e olhos atentos, vão-nos deslumbrando palácios, casas ricas, templos, túmulos, tudo encastrado na pedra, numa sucessão de beleza indescritível. Há ainda um mosteiro no mesmo estilo das restantes construções, mas só quatro dos nossos companheiros mais jovens se atreveram a galgar os 900 degraus, ver a deslumbrante cúpula a que dão o nome de Urna do Mosteiro e admirar a vasta e grandiosa paisagem.


Almoçámos (mal) num restaurante com serviço de «cattering» do Crown Plaza Hotel e regressámos pelo mesmo caminho, de novo a pé (embora também se pudesse utilizar um burro ou um camelo), até ao largo do Tesouro, onde nos veio buscar a nossa carroça. Por toda a parte enxameavam miúdos vivaços a quererem vender postais ou colares, alguns, diziam eles, de osso de camelo mas que talvez fossem de plástico. O Vôvô achou curioso o facto de eles descobrirem imediatamente, no meio da multidão, que éramos europeus, por nos abordarem gritando: um euro, um euro, enquanto estendiam os colares. Contou-me que um garoto lhe citou o nome do nosso futebolista Ronaldo ao descobrir que ele era português!


No regresso visitámos Mádaba, onde, no chão da Igreja grego-ortodoxa de S. Jorge, admirámos o primeiro mapa de Israel. Mádaba é a cidade dos mosaicos, herança dos bizantinos e a Igreja de S. Jorge é um autêntico museu de lindíssimos ícones que ilustram esta antiquíssima arte.


Não podíamos deixar a Jordânia sem passar pelo Monte Nebo, onde, ao fim de quarenta anos de viagem, Moisés morreu, sem ter realizado o seu sonho de alcançar Israel, a Terra Prometida. Visitado pelo Papa João Paulo II no ano MM , ergue-se na vasta esplanada com vista para Israel uma Cruz formada por uma serpente de bronze, a lembrar uma das graças feitas por Deus a Moisés. No local há ainda uma igreja e um museu.


Do Monte Nebo descemos por uma estrada íngreme e sinuosa, cheia de curvas apertadíssimas, para o Mar Morto, a 420 m. abaixo do nível do Mar e com 40% de sal, o que dá às suas águas e lamas virtudes curativas e permite ler um jornal deitado tranquilamente sobre as águas, como se dum sofá se tratasse. Eu fiquei-me pela beirinha, onde mergulhei os pés que ficaram todos negros como breu enquanto me divertia a ver algumas pessoas mascarradas, como se fosse Carnaval.


Fomos dormir a um «resort» de luxo, em Petra, muito original e confortável mas com tantos meandros que, depois do jantar, nos «vimos gregos» para encontrar a nossa casa, o 612 do Hotel Taybet Zaman, de cinco estrelas, e que foi reconstruido no que havia sido, no passado, uma estrebaria de camelos!


No dia seguinte, fomos então para Jerusalém, onde ficámos também muito bem instalados no Hotel Grand Court.


E ainda me falta falar de …


Beijinhos dos Vóvós.

 

 

                                Na carroça do cavalinho aos saltos!

          No largo do Tesouro            A nossa casa no Hotel Taybet Zamam *****

                   Uma rua do labiríntico Hotel Taybel Zamam, em PETRA

publicado por clay às 10:01 | link do post | comentar | favorito
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