Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Terça-feira, 28.10.08


Meus queridos netos:

 

Interrompo o registo das minhas recordações antigas, para dar largas à emoção que senti e sinto pela nossa viagem, do Vôvô e minha, que há cerca de um mês fizemos à Terra Santa, realizando um desejo nosso, muito antigo e que devíamos ter concretizado mais cedo, pois foram nove dias que nos exigiram levar quase ao extremo os limites das nossas forças, físicas e mentais, tanto mais que também visitámos a Jordânia, com a jóia das ruínas da civilização nabateia que aí floresceu muitos séculos A. C.


Da viagem fizemos uma extensa reportagem fotográfica, que um dia podereis ver, até como preparação para uma viagem vossa que vivamente vos aconselhamos a fazer, quando tiverem idade e meios para tal.


Como é impossível descrever tudo o que vimos e exprimir tudo o que sentimos numa ou mesmo várias cartas que aqui vos deixasse, limitar-me-ei a referir alguns pontos altos da nossa passagem pela Terra Santa.


Assim, um dos aspectos que mais nos impressionou foi ver os vestígios, geralmente ruínas ou grutas subterrâneas, onde decorreu a vida de Nossa Senhora e S. José e, claro, a vida de Cristo, todos assinalados, agora, por magníficas igrejas que, ao longo destes dois milénios, foram sendo destruídas pela fúria das invasões e sucessivamente reconstruídas por cristãos convictos, desde Sta. Helena, mãe do imperador romano Constantino, até a congregações religiosas recentes entre as quais se distinguiram os padres franciscanos, actuais detentores da custódia da Terra Santa.


Testemunhas da expansão do cristianismo no mundo são as igrejas cristãs de países tão diferentes como a Itália, a Grécia, a Arménia e a Rùssia que, no Monte das Oliveiras, erigiu uma magnífica basílica ortodoxa, dedicada a Sta. Maria Madalena.


Entre tantas maravilhas, é difícil escolher. Assim, vou limitar-me a enumerar o que foi essencial para nós:


- a Basílica da Anunciação, em Nazaré, construída sobre os vestígios da Casa de Nossa Senhora, os duma antiga igreja bizantina e os da igreja que sobre ela construíram os Cruzados. A actual foi erigida entre 1967 e 1969 e, na gruta de Nossa senhora há um altar sob o qual se vê um monumento em mármore, com as palavras: «Verbum caro hic factus est» (e o Verbo se fez carne). No andar superior e nas galerias exteriores há lindíssimas representações das padroeiras ou da Virgem mais adorada em numerosos países do Mundo, entre as quais figura Nossa Senhora de Fátima a ser adorada pelos pastorinhos.


- a Igreja da Natividade, em Belém, que, no andar superior, tem uma magnífica Igreja bizantina com quatro ordens de artísticos pilares decorados e outra católica, numa nave lateral. Descendo alguns degraus, encontramos a Capela da Natividade, com três comoventes altares: O da Natividade, por baixo do qual se assinala, com uma grande estrela de prata, o lugar onde nasceu Jesus; a Capela do Berço, onde uma modesta caminha lembra o sítio da manjedoura; e o Altar dos Reis Magos, cuja presença salvou a igreja durante as invasões persas (foi uma das poucas por eles poupadas).

 

- A visita a Yardenit, local onde os evangélicos situam o baptismo de Jesus, no rio Jordão, por S. João Baptista, enquanto outros cristãos crêem ter sido na Jordânia, devido à referência ao deserto que se faz no evangelho. Em Yardenit comprei dois frasquinhos de água santa do Jordão para o baptizado dos filhos da Cândida, os vossos primos Tomás e João.


- o passeio de barco no lago de Tiberíades foi um momento da mais pura emoção, na recordação do magistério e dos milagres de Cristo, como o fora, antes, na Igreja das Bem- Aventuranças, onde o nosso grupo, recitou, a uma só voz o testemunho de S. Lucas. Como já o tinha sido, no Monte Tabor, a visita à Basílica da Transfiguração e passagem pelo Monte Nebo, com a sua serpente em forma de Cruz e a evocação de Moisés, o grande profeta que aí morreu sem ter conseguido chegar à Terra Prometida.


- inesquecível , também, a Igreja do Pai-Nosso, com um magnifico claustro, cujas paredes têm painéis com a versão desta oração fundamental em numerosas línguas do mundo, incluindo o português. Aí, na chamada Gruta do Credo, rezámos, comovidos, em voz alta, a oração que Jesus ensinou aos seus discípulos, o Pai-Nosso.


- muito mais havia a dizer sobre igrejas e outros lugares sagrados que visitámos, mas quero terminar esta muito resumida «peregrinação» à Terra Santa com a referência à Via Dolorosa e às sua catorze estações, geralmente assinaladas por uma igreja. Começam na Igreja da Condenação de Jesus à morte e terminam na Igreja do Santo Sepulcro, onde comovidamente beijámos a Pedra da Unção, sobre a qual Jesus foi colocado para ser preparado antes de ser depositado no túmulo, agora simbolizado numa impressionante capela, a que se acede apenas por grupos de cinco pessoas e é, como não podia deixar de ser, o lugar sagrado, por excelência, para todos os cristãos quer visitem ou não a Terra Santa.


- Terminámos com a visita ao Muro das Lamentações, onde se reuniam em prece pessoas das mais diferentes convicções religiosas ou simples curiosos e onde deixei, como é tradição, entalados numa fresta do Muro, as minhas súplicas a Deus por vós, por toda a família, amigos e benfeitores e pela paz no mundo.


Na próxima carta falarei da parte profana da nossa viagem. Até lá, beijinhos, muitíssimos, dos Vóvós.

 

         

O nosso passeio no Lago Tiberíades, também chamado Mar da Galileia

                 (vejam se descobrem a Vóvó, dentro do Grupo)

 

publicado por clay às 11:12 | link do post | comentar | favorito
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