Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Quinta-feira, 14.05.09

 

Meus queridos netos:


Neste dia 25 de Abril, levantámo-nos às duas da manhã e, depois de um ligeiríssimo pequeno-almoço preparado para aquela hora pelo Hotel Dolmen, onde pernoitámos três noites, dirigimo-nos para o porto de La Valleta, onde embarcámos, às cinco horas, num catamaran (muito cómodo e com várias televisões de plasma, que passaram dois filmes para turistas (ensonados como eu), em direcção à Sicília, (Itália).


A Sicília é a maior ilha do Mediterrâneo (25.738 kms quadrados) e a sua forma triangular valeu-lhe o nome de Trinacria que, em grego, significa terra com três promontórios. Tem, portanto uma forma triangular, representada no seu símbolo, a Trinácria, que é composto por três pernas, tendo, ao centro, o rosto duma deusa e que se encontra por toda a parte, nas mais variadas versões, destinadas aos turistas. Mal desembarcámos, fomos deixar as nossas malas no Hotel Bellini, que nos tinha sido reservado em Catânia, mas partimos logo para Siracusa.


Esta cidade (Siracusa) constituiu, com Naxos, os dois primeiros núcleos gregos no Ocidente. Era uma das cinco cidades da Pentápolis e levava esse nome. Tinha, à época, 130.000 habitantes o que justifica a sua importante tradição cultural e religiosa.


Foi aqui que S. Paulo ficou três dias, no seu caminho para Roma e aqui fundou uma comunidade cristã. Também aqui viveu e foi martirizada Santa Luzia.


Mal entrámos na cidade, fomos surpreendidos por uma imponente Basílica, o santuário de Madonna delle Lacrime, construção moderna, em forma de cone facetado e assente numa estrutura redonda. A Basílica é enorme, e o cone atinge uma altura impressionante. É dedicada à Senhora que, de 29 de Agosto a 1 de Setembro de 1953, verteu as lágrimas representadas na imagem que comprei. No verso, tem uma em comovedora oração com que o Papa João Paulo II concluiu a Homilia para a Dedicação do Santuário da Madonna delle Lacrime, em 6 de Novembro de 1994.


Foi pena o tempo não ter chegado para visitar os muitos e importantes vestígios arqueológicos que ainda hoje se encontram nesta bela e artística cidade: as ruínas do Templo de Apolo, o anfiteatro romano, o majestoso teatro grego e muitas outras maravilhas.


Centrámo-nos no que nos levava a Siracusa: a catedral de S. João, a sua gruta e as catacumbas. A catedral, erguida pelos bizantinos no séc. IV, foi em parte reconstruída depois dum grande terramoto que ocorreu no séc.XVII.. Tem uma bela fachada barroca, mas não tem tecto, pelo que só funciona no Verão. A nossa Missa foi celebrada na gruta de S. João Evangelista, de pé ou sentados nos degraus de acesso. Em seguida visitámos uma pequena parte das catacumbas, e admirámos o túmulo duma nobre senhora romana, que figura numa placa de que tirámos fotografia e cujo original está num dos museus da cidade.


Depois fomos almoçar a um restaurante que ficava muito longe do autocarro e onde esperámos duas horas que nos servissem. Tal foi a estafa, que o regresso foi feito em carrinhas. E o almoço também não compensou: macarrão com mexilhões, dourada com salada e, no fim, uma granizada de não sei quê: era doce e vermelha, talvez de melancia.


Com tudo isto, chegou a hora de regressar a Catânia. De tarde, visitámos a cidade barroca, dotada duma bela panorâmica que se estende até ao Etna, onde estava previsto subirmos até aos 2000 m, o que se tornou impossível pois estava coberto de neve até ao meio. Fizemos uma breve visita à cidade, com particular atenção à Catedral, datada de l092, mas destruída pelo sismo de 1169 e reconstruída entre 1693 e 1758, por dois grandes mestres do barroco. Tem, no entanto, um pórtico em mármore em estilo renascentista e está adornada por numerosas e belas estátuas de mármore. Fica situada na Piazza del Duomo, onde também se encontra a Abadia de santa Ágata, o palácio do Município e a Fonte do Elefante, de Vaccarini, que colocou um obelisco egípcio por cima dum antigo elefante em pedra lávica sobre um monumento em mármore branco, provavelmente do período romano. Esta estátua tornou-se o emblema da cidade com o nome de «Liotru».


Depois desta visita, dirigimo-nos ao nosso Hotel, o Hotel NH Bellini, com numerosas “amenities”da marca “tierra”. Jantámos a comida do costume: pasta, salada, uma carne muito tenra que devia ter sido previamente cozida e que nunca se conseguia saber se era porco, frango ou peru. E um bolo tipo doce da casa ou fruta.


E toca a deitar, que o dia de amanhã não será menos exaustivo do que o de hoje.


Beijinhos dos Vóvós. Até breve.

                        Malta, Sicilia e Sul da Itália

              Mapa da ilha de Sicília e cidades nela visitadas

                   Trinácria                   Basílica Madonna delle lacrime

             Interior da Basílica Madonna delle Lacrime

              Madonna delle lacrimie                      Oração de João Paulo II

Missa celebrada pelo Prior de Benfica nas Catacumbas de Siracusa

                                                     Vulcão Etna

      Catânia - Catedral Santa Ágata                     Praça do Elefante

                                                    Catânia

                                   Catânia - Hotel NH Bellini

 

 

publicado por clay às 17:13 | link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 12.05.09

 

 Meus queridos netos:


Hoje, dia 24 de Abril, após o pequeno-almoço, dirigimo-nos para o cais em Cirkewwa, onde embarcámos num ferry-boat, o Maria Dolores, de grandes dimensões, luxuoso e muito cómodo  em direcção à Ilha de Gozo, muito mais pequena do que Malta, com apenas 27.000 habitantes em 72 kms. quadrados e uma linha costeira de 43 kms., mas onde nos esperavam muitas e agradáveis surpresas: em primeiro lugar as sua belezas naturais, com três colinas que se recortam no fundo azul do céu, falésias doiradas e praias acolhedoras. Depois, a sua riqueza em monumentos megalíticos, mil anos anteriores às pirâmides e, portanto dos mais antigos de todo o mundo. Começámos por visitar um desses monumentos, o Templo de Ggantija, cujas escavações começaram em 1820 e que hoje são uma importante atracção turística. Primitivamente, eram dois templos separados que depois foram ligados por paredes internas, cheias de terra e de pedra partida e são hoje considerados, pela UNESCO, património da Humanidade.


A Ilha de Gozo, cuja capital é Vitória, passou por várias vicissitudes, a mais trágica das quais a tomada da cidadela, em 1551, pelos otomanos, que destruíram as muralhas e massacraram os habitantes. Repovoada por habitantes de Malta, as fortificações da cidadela foram reconstruídas e a cidade, dividida também em Mdina e Rabat, foi durante muito tempo administrada pelos Cavaleiros da Ordem de S. João , depois por um Conselho Local e, a partir de 1815, pelos britânicos que centralizaram a administração em La Valletta.


A Catedral, é um dos mais belos edifícios construídos entre 1697 e 1711, por Lorenzo Gafà, o mestre do Barroco em Malta; ergue-se à entrada da cidadela, actualmente em reconstrução e tem um valioso Museu, que não tivemos tempo para visitar. A Igreja mais concorrida é o Santuário de Ta’Pinu, também conhecida por Igreja de Filipe, pois foi num campo deste homem que, segundo a tradição, lhe apareceu Nossa Senhora, bem como a uma mulher que costumava pôr flores no seu altar. Graças ao testemunho dos dois, a pequena capela que ali existia desde o séc. XVI, foi integrada num sumptuoso santuário, o templo mais popular dedicado ao culto da Virgem, nas ilhas maltesas. Cada arco tem um número igual de pinturas alusivas à Virgem, todas diferentes, como o são os capitéis. O altar-mor tem como fundo uma linda coroação de Nossa Senhora, ladeada por quatro anjos, dois dos quais seguram a coroa. Um pouco avançado em relação ao altar-mor, há um baldaquino sustentado por quatro colunas de mármore trabalhado e, no alto, oito estátuas em tamanho natural: quatro bispos e quatro profetas relacionados com Nossa Senhora. Também os arcos fechados que ladeiam a Basílica têm, por cima, cenas da vida da Virgem. Nesta Basílica, assistimos à Santa Missa, celebrada pelo nosso prior.


Segundo a lenda, Gozo teria sido a Ilha onde Calipso reteve Ulisses. Por isso se pode ver a entrada duma gruta, a Caverna de Calipso, que não estava aberta ao público mas ficava próxima dum deslumbrante miradouro donde se avistava uma bela paisagem: uma grande mas aconchegada baía com uma convidativa praia de areias doiradas.


A dada altura estávamos a ver um documentário muito interessante sobre a História da ilha, suas belezas, actividades e folclore, mas tivemos de sair a meio para não fazermos esperar o Grupo.


Em Gozo, como em Malta, a maior parte das casas tem, na parede principal, uma imagem de Nossa Senhora ou de santos, especialmente de S. Jorge.


Deixámos com saudades a Ilha de Gozo e regressámos ao catamaran e depois ao autocarro que nos levou ao nosso Hotel, em cuja entrada sumptuosas palmeiras nos davam as boas-vindas.


Nestas nossas deambulações, várias vezes avistámos a Baía e a Ilha de S. Paulo, onde erigiram uma pequena capela e uma estátua monumental em honra do Santo e, por toda a parte, uma rede de torres de vigia costeiras, destinadas a dar o alarme, no caso da aproximação de piratas ou invasores.


Beijinhos, com muito amor, dos Vóvós.


    Tomando notas para o meu Blog

             Ruínas de Ggantija

   Uma rua de Vitória, a capital da Ilha

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