Nunca pensei que os "olhos do meu coração, no dizer de S. Paulo, revelassem pormenores por mim julgados completamente esquecidos...
Segunda-feira, 01.06.09

Meus queridos netos:


Deixando Nápoles a caminho de Pompeia, fizemos um pequeno desvio para irmos visitar uma fábrica, muito antiga (1848) e muito célebre pelo fabrico de jóias (e candeeiros), a partir de corais e de conchas, especialmente de búzios, Ali pudemos admirar peças de grande valor artístico e… monetário. O Emílio ofereceu-me, como recordação, um bonito colar rosado, feito a partir de casca de búzio. Ainda havíamos de fazer outro desvio, desta vez por causa dum trágico acidente em que morreu um rapaz que ia na sua motocicleta. O trânsito foi cortado e tivemos de atravessar Torre Anunziata, onde foi instalada a primeira fábrica de massa, em meados do séc. XIX. Muitas outras se lhe seguiram, a ponto de os habitantes serem chamados «pastari» e a única fábrica que resta, em laboração, produz a massa mais cara do mundo.


Seguimos, então, para Pompeia, uma cidade que sempre tinha fascinado a minha imaginação. Completamente destruída pela lava da grande erupção do Vesúvio, entre 24 a 27de Agosto de 79 d.C., o material eruptivo que a cobriu, constituído sobretudo por cinzas, rapilho e lava, permitiu que a cidade chegasse íntegra até aos nossos dias, como um excepcional livro aberto sobre arte, ofícios e vida quotidiana do passado. Um dos poucos sobreviventes do cataclismo foi Plínio, o Moço, que, nas suas Cartas, nos deixou um testemunho dramático e minucioso daqueles trágicos acontecimentos. Só em 91 d.C. foi enviada uma inspecção de Roma e chegou-se à conclusão de que 95% dos habitantes tinham morrido asfixiados. Hoje podem admirar-se, no interior da cidade, duas caixas de vidro onde estão expostos dois moldes, em gesso, de duas vítimas da erupção, em cuja expressão se capta o horror das suas mortes.
Só em 1784, o rei de Nápoles mandou vir para Pompeia famosos arqueólogos que iniciaram as escavações, as quais, tendo de ser manuais, ainda não acabaram: falta conhecer 28% do espaço soterrado. Mas o que já se encontra à vista dos visitantes é, de facto, impressionante. Em 79 d.C., a cidade de Pompeia tinha uma forma triangular que hoje chamam “o peixe”. Possuía duas milhas de muralhas com a altura mínima de 4,80ms., chegando a atingir 12ms., nos pontos mais altos. A extensão da cidade dentro das muralhas era de 64 hectares e era dotada de oito portas de entrada e oito de saída. Quanto ao número de habitantes, as estimativas não são fiáveis, pois oscilam entre as 2.000 e 20.000 pessoas.


O núcleo mais antigo de Pompeia é o que está em volta do Foro Triangular. O novo Foro, junto da Porta Marina, aparece descentrado. Na zona periférica ergueu-se o Teatro, o Anfiteatro e a Palestra. Foram construídas Termas em diversos pontos da cidade – as ruínas das Termas Stabiane são ainda hoje espectaculares, graças às colunatas de mármore. Os cemitérios ficavam fora das suas portas, onde também foram encontradas “villas” sumptuosas, como a de Diomedes e a dos Mistérios. Havia na cidade muitas lojas, artes e ofícios, de tal modo que a Corporação dos Tintureiros tinha um edifício no Foro. Não faltavam os bares, hoje facilmente reconhecidos pelos buracos para meter as âncoras, fornos a lenha, hotéis e foram encontradas inscrições com anúncios para alugar casas. Os templos, seguiam o modelo helenístico e eram numerosos: o de Apolo, o de Hércules, o de Júpiter, ou Capitólio, o de Ísis, etc. Havia dois teatros: o teatro pequeno ou Odeon, com capacidade para 1.000 espectadores e a possibilidade de ser permanentemente coberto. Sede de manifestações teatrais e musicais era o mundo da mímica; e o teatro grande, do séc. II a. C., com 5.000 lugares e que também podia ser eventualmente coberto. Aí se representavam tragédias ou comédias.


Um exemplo do avanço técnico de Pompeia são as ruas dum empedrado perfeito, com passeios e tendo passadeiras constituídas por grandes blocos de pedra colocados transversalmente para os peões não molharem os pés, se se verificassem grandes chuvadas. Ao longo da rua havia numerosas lojas, bem como as casas dos proprietários, de, pelo menos, dois andares Uma das ruas mais importantes, a Rua da Abbondanza, tirou o seu nome duma das quatro fontes do centro de Pompeia, a Fonte da Cornucópia.


Excepto no que se refere à arquitectura, não encontramos hoje em Pompeia muitos exemplos do que foi a sua imensa riqueza artística: os mosaicos da caça ao javali, o plinto dum altar de mármore com cenas sacrificiais, e alguns, raros, vestígios de afrescos. 168.000 obras de arte de Pompeia, 1763 achados arqueológicos identificados , 20.000 m2 de pintura e 2.000 de mosaicos encontram-se desde o séc. XVIII, no Museu Arqueológico Nacional, em Nápoles, cujo acervo não cessa de crescer.


É tão rica e tão espectacular aquela cidade que teve uma época áurea, foi completamente arrasada pela fúria da natureza e hoje renasceu das próprias cinzas, mutilada, mas, ainda assim, deslumbrante!


Depois da visita, fomos para a parte nova da cidade, onde se encontra a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, para assistirmos à Missa celebrada pelo nosso Prior de Benfica Pe. Traquina e pedirmos a intercessão de Nossa Senhora e de S. Paulo junto de Deus, que nos livre de tais catástrofes e tenha compaixão das vítimas daquelas que, tão frequentemente, ocorrem no Mundo.


Beijinhos dos Vóvós e até Roma! Como hoje é já muito tarde, prometo-vos para breve fotografias de Pompeia.

 

publicado por clay às 00:33 | link do post | comentar | favorito
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